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Caso Jandira: especialistas em saúde pública afirmam que aborto precisa ser debatido

O Globo

 RIO — Especialistas em saúde pública afirmaram que o aborto é um tema que precisa ser debatido por autoridades e pela população. Para a médica Ligia Bahia, do Laboratório de Economia da Saúde da UFRJ, casos como o de Jandira poderiam ser evitados.

O caso de Jandira é um exemplo do que chamamos de aborto inseguro. É aquele realizado fora de uma unidade médica credenciada. No Brasil, pelo fato de o aborto ser ilegal, a intervenção realizada em clínicas clandestinas é a mais comum. As mulheres se colocam numa situação de extremo risco quando se submetem a esse tipo de operação — disse Ligia.

A médica enfatizou que o aborto inseguro vem provocando graves consequências na rede pública:

Hospitais fazem muitos atendimentos por conta de complicações de aborto. O ideal seria a sociedade debater esse tema sem ideologia, focando apenas a grave questão de saúde pública.

O presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, Marcelo Burla, chamou a atenção para os riscos de um procedimento como esse:

Um aborto ilegal abre possibilidades para infecções e hemorragias, e não faltam casos de imperícia que resultam na permanência do feto no útero. Não há mais como defender a falta de debate sobre o tema.

Em nota, Ana Rocha, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do município do Rio, se manifestou sobre o caso de Jandira: “Não podemos ficar indiferentes à morte de mulheres, seja qual for a situação’’.

Marta Dantas, subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres do governo estadual, informou que o Hospital-Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão, o Hospital da Mãe, em Mesquita, e o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, têm serviços de contracepção de emergência e fazem encaminhamentos para programa de planejamento familiar da Secretaria de Saúde.

Candidatos falarão sobre aborto e casamento gay em debate da CNBB

Agência Efe

 São Paulo, 15 set (EFE).- Oito dos 11 candidatos à presidência da República nas eleições de 5 de outubro participarão nesta terça-feira de um debate organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e no qual apresentarão suas posições sobre temas polêmicos para os religiosos, como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O presidente da CNBB, o cardeal Raymundo Damasceno, adiantou que o debate será focado em temas sociais e disse que espera que os candidatos se posicionem claramente sobre assuntos polêmicos, pois a população merece conhecer o que pensa cada um deles.

"É um oportunidade para que a população, especialmente a católica, conheça qual é a influência da religião naqueles que querem governar o país", afirmou Damasceno, arcebispo de Aparecida e um dos 300 religiosos que estarão no evento.

O debate será realizado nas dependências do Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, e será retransmitido por oito emissoras de televisão e 230 de rádio controladas pela Igreja Católica.

A CNBB informou que os oito candidatos que confirmaram sua participação são: Dilma Rousseff, Marina Silva, Aécio Neves, Pastor Everaldo, Eduardo Jorge, Eymael, Levy Fidelix e Luciana Genro.

De acordo com a pesquisa Ibope divulgada na última sexta-feira, Dilma lidera as intenções de voto no primeiro turno com 39%, seguida por Marina Silva com 31%, pelo senador Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 15%, e pelo pastor evangélico Everaldo Pereira, do Partido Social Cristão (PSC), com 1%.

Em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, as duas estão tecnicamente empatadas, com 43% para a candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o 42% para a atual presidente.

Tanto Marina como Aécio e o Pastor Everaldo se manifestaram claramente contra o aborto, que no Brasil é permitido em casos de estupro, risco para a mãe e anencefalia do feto, mas todos por motivos diferentes.

Dilma afirmou ser contra o aborto, mas no geral tenta evitar o assunto. Entretanto, vários bispos acusam o Partido dos Trabalhadores (PT) de ser favorável a uma flexibilização da lei sobre a interrupção da gravidez.

Marina, que é evangélica e em sua juventude chegou a passar pela Casa Madre Elisa, um pré-noviciado católico, possui posições muito próximas a da CNBB e foi alvo de duras críticas nas últimas semanas por ter retirado do programa de governo do PSB o apoio ao casamento gay.

Outros dois candidatos que participaram do debate se declararam favoráveis ao aborto, à descriminalização da maconha e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo: o médico Eduardo Jorge, candidato do Partido Verde (PV), e Luciana Genro, que concorre pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Os outros dois participantes são mais conservadores e se declararam defensores das posições da Igreja, Levy Fidélix, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), e José Maria Eymael, do Partido Social Democrata Cristão (PSDC).

Esta será a segunda vez que a CNBB organizará um debate entre candidatos à presidência, depois das eleições de 2010, quando promoveu um encontro no qual Dilma não compareceu devido à polêmica provocada pela decisão de alguns bispos de boicotar sua candidatura por considerá-la uma defensora do aborto.

No primeiro bloco do debate, os candidatos terão que responder a uma mesma pergunta feita pela CNBB e, no segundo, a perguntas diretas de oito bispos. Já no terceiro, responderão a perguntas de jornalistas de mídias católicas, enquanto o quarto bloco será reservado para o confronto entre si. No quinto, os candidatos farão suas considerações finais. EFE

Em terra de cesárea, humanizar é desafio

Jornal da Cidade

 Contra a vontade da mãe, Sofia nasceu de cesárea e aumentou o preocupante índice desses partos em Ribeirão Preto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que 15% do total de partos sejam cesáreas; a cidade tem índice de 60%. “Me senti enganada pela médica”.

Daiane Parreira, estava na segunda gestação. A primeira filha nasceu de parto normal. “Tinha tudo para que a Sofia também nascesse”. A menina já tem dois anos, mas o inconformismo de Daiane não diminuiu. “A médica me disse que se eu não fizesse cesárea minha filha ia morrer. Hoje, eu sei que não é assim”.

Ribeirão segue a tendência nacional. O Brasil é o recordista do mundo em cesáreas, de acordo com a pesquisa “Nascer no Brasil”, da Fundação Oswaldo Cruz.

Em meio a esse contexto, a humanização acontece vagarosa. Portarias do Ministério da Saúde de 2013 e 2014 determinam, entre outras medidas, o contato imediato entre mãe e bebê após o nascimento, a amamentação na primeira hora de vida, o acolhimento do recém-nascido antes de qualquer procedimento e formaliza como parto normal o procedimento sem intervenções.

No SUS, no entanto, não há maternidades estruturadas para prestar esse tipo de atendimento em tempo integral. Mulheres relatam que mesmo pelo convênio encontram dificuldades em conseguir o parto desejado.

A busca por partos alternativos, como o domiciliar, tem crescido, com o respaldo de organizações e das doulas - figura da antiga parteira. Os custos, porém, ficam entre R$ 6 e R$ 12 mil.

O Hospital RDO, inaugurado há um ano, e a Maternidade Cidinha Bonini, recém-inaugurada, surgiram sob as bases da humanização. Esperança na luta por um atendimento melhor, que tem muito a caminhar.

Humanizado põe foco no bem--estar da mulher
“O parto humanizado é aquele onde a mulher é a protagonista e não assistência”. Essa é a definição da psicóloga e doula Eleonora Moraes, do grupo Despertar do Parto. Na humanização, todas as vontades da mulher são respeitadas.

Ela pode escolher a posição em que quer dar à luz e são utilizados métodos alternativos para amenizar as dores das contrações, como massagens, bola e banheira de água quente. Muitas mulheres dão à luz na banheira.

Intervenções médicas, como anestesia, corte na região pélvica, ocitocina sintética para aumentar as contrações, só acontecem com a sua permissão. O cordão umbilical não é cortado enquanto pulsa. O bebê vai para o colo da mãe e a amamentação acontece na primeira hora de vida.

Motivos vão da mentalidade à falta de estrutura
Os motivos que levam ao cenário de cesáreas vão da mentalidade de que é o mais seguro à estrutura do sistema de saúde. “O médico recebe praticamente o mesmo por cesárea e normal. Um acontece com hora marcada. O outro é imprevisível”, pontua Caio Antônio de Campos Prado, diretor técnico da Mater.

Flávia Mendonça era uma “obstetra tradicional”, em suas palavras, especialista em cesariana. Depois que teve o primeiro filho pelo parto que estava acostumada a fazer, mudou a visão.

“Eu achei sem sentido”. Na segunda gravidez, já pesquisava sobre o parto humanizado. Bianca nasceu em casa e a mãe sente que renasceu. Hoje só leva à cirurgia pacientes com indicação. “Eu tive a oportunidade de reescrever minha história”.

Casal homossexual se casa no RS após local da cerimônia ser queimado

G1

 No último domingo, o Fantástico mostrou que Santana do Livramento, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, vivia uma polêmica: um Centro de Tradições Gaúchas seria sede de um casamento coletivo. O problema, para parte da população, é que entre os 29 casais, um deles era homossexual.

Na reportagem da semana passada, o patrão do CTG Sentinelas do Planalto se dizia preocupado com boatos de que o local seria queimado. Na última quinta-feira, as ameaças se concretizaram.

“A gente não acreditava, achava que era apenas ameaça. Infelizmente, não era só ameaça”, conta Gilberto Gisler.

“Trata de um atentado ao CTG. Seria uma garrafa pet que teria algum líquido inflamável, que provavelmente seja gasolina”, afirma o delegado da Polícia Civil Eduardo Finn.

Depois do incêndio, um mutirão foi realizado para recuperar tudo. Enquanto um grupo trabalhava para remover os entulhos, e era muita coisa para ser retirada, outros trabalhadores, em uma corrida contra o tempo: a reconstrução do prédio.

“Amigos, vizinhos, todo mundo junto, pegando aparelho, para nós reerguermos novamente”, diz um integrante do CTG.

“E aqui não tem gays trabalhando para um casamento gay, aqui tem tradicionalistas e simpatizantes do movimento trabalhando para que as pessoas que querem ser felizes consigam celebrar essa união”, disse um outro integrante do CTG.

Obra do CTG não fica pronta e cerimônia é transferida para o Fórum

Mas a obra não ficou pronta a tempo, e a cerimônia teve que ser transferida para o Fórum da cidade. Desde que decidiu fazer o casamento no CTG, a juíza que organizou o evento vem sofrendo ameaças e anda escoltada pela polícia.

“É lamentável, porque, em verdade, é um juiz fazendo nada mais, nada menos do que seu trabalho que é cumprir a legislação”, diz a juíza Carine Labres.

Protegidas por um esquema de segurança, Sabriny e Solange entraram no salão, decorado com as cores do Rio Grande do Sul e com a bandeira do movimento GLS. O final feliz teve beijo e aplausos.

“As duas casadas, eu fico mais feliz”, Solange Rodrigues, funcionária de pet shop. 

“Não dá para você reprimir, tem que ir em frente. Estou feliz, Estou com uma sensação de missão cumprida”, diz Sabriny Benites, funcionária de pet shop.

E uma correção: no domingo passado mostramos o depoimento do presidente da Associações dos Tradicionalistas de Santana do Livramento, Rui Francisco Rodrigues, que se mostrava contrário ao casamento de homossexuais dentro do CTG. Só que o Fantástico deixou de mencionar que a gravação tinha sido feita no mês passado. Hoje, Rui Francisco Rodrigues diz que o lugar onde o casamento aconteceria não é filiado ao Movimento Tradicionalistas e não quer mais falar sobre o assunto.

JOGO RÁPIDO

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Nova política, velhos tabus?
Marcelo Rubens Paiva

(16/9/2014) Apenas 2 candidatos, Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSDOL), defendem a DESPENALIZAÇÃO do aborto no Brasil. E somente ambos defendem a DESCRIMINALIZAÇÃO da maconha...


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Aborto Medicamentoso no Brasil

Com intuito de desdobrar, aprofundar e difundir os conteúdos expostos na reunião técnico-científica Aborto Medicamentoso no Brasil, alguns dos palestrantes produziram artigos especialmente para compor esta publicação. Ao final, apresenta-se também uma síntese de todas as exposições e debates realizados.

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