Página principal A CCR PROSARE Cobertura Temática Textos e Pesquisas
Ciclo de Debates
Links Contato
   
   

A vertiginosa carreira político mídiatica de Sarah Palin começou uma semana atrás,  quando o New York Times online anunciou, no meio do dia  que Bristol Palin estava grávida de cinco meses. Quando a Vinicius Torres Freire  publicou seu artigo,  no domingo dia 7 de setembro,  o socorro generoso do governo Bush  a duas grandes empresas de financiamento habitacional tomava as primeiras páginas dos jornais de todo mundo. Mas ainda não  era evidente o impacto positivo da escolha de Palin, a despeito do “ escândalo sexual”  que se seguiu,  entre as mulheres norte-americanas brancas, muitas das quais alguns meses eram as potenciais eleitoras de Hilary Clinton, o que fez subir rapidamente as intenções voto em Mc Cain .

Acesse a matéria, "O bebê de Bristol e o fim de Baby Bush"

O artigo de Freire não analisa essa dinâmica paradoxal. Mas tem o mérito inequívoco, de vincular as questões  da gravidez na adolescência, do aborto e da agenda moral  de Bush aos equívocos e contradições da política macroeconômica do chamados “neocons” (neo-conservadores).  Esse tipo de análise, embora presente em publicações de “esquerda” como The Nation é muito escassa mesmo na grande mídia norte americana.  E, ainda que em anos recentes, The Economist tenha feito matérias sobre HIV, aborto e prostituição, o tratamento que aí predomina tampouco faz a articulação com tendências macroeconômicas que são o foco principal da revista. 

No caso do Brasil esse tipo de abordagem é ainda mais raro. Excetuando-se as eventuais, mas competentes, incursões de Miriam Leitão sobre esses e outros temas correlatos, sexualidade, gravidez e aborto estão ausentes dos cadernos de economia. É como se seus leitores e leitoras não tenham interesse ou nem mesmo devam ser informados sobre  essas “externalidades” da vida cotidiana, para usar o jargão disciplinar. Assim sendo ao abrir o Caderno Dinheiro da Folha fui positivamente surpreendida pelo o artigo de  Torres Freire.

Acho, porém,  que autor comete um deslize quando afirma que “Bush, no caso, é uma irrelevância que apenas ajuda a espraiar a ignorância e o preconceito”.  Essa afirmação passa ao largo dos investimentos financeiros e políticos sistemáticos da administração Bush para: promover o casamento monogâmico e a abstinência, criar barreiras para o  acesso aborto,  atacar com argumentos pseudo científicos a eficácia da camisinha  e restringir os programas de educação em sexualidade nas escolas públicas. Recomendo às leitoras e leitores que queiram saber mais sobre essas políticas nefastas a leitura do relatório “ O Kamustra de Bush: muitas posições sobre Sexo” (acesse o site) ou que acessem o site (em inglês) www.pepfar.org. Quero dizer, contudo, ainda assim, a qualidade do artigo não fica comprometida.

Mas isso não é tudo. Desde domingo, os efeitos eleitorais do fenômeno Palin mobiliza um intenso debate nos EUA, como indicam os artigos escritos por uma multidão de feministas, num espectro vai de  Camille Paglia  à Gloria Steinem. Quanto a nós, as fotos espalhadas nos jornais e na web reavivam, não sem desconforto, a memória do Lobby do Batom que, vinte anos atrás, no processo constituinte, foi expressão da agenda feminista brasileira. Essas imagens também evocam os estudos clássicos de Julieta Kirkwood sobre a participação massiva de mulheres chilenas nas mobilizações que levaram ao golpe de Pinochet, os quais debatemos com fervor nos anos 1980.  Mas há coisas “novas” sobre as quais devemos refletir, como por exemplo, a  espetacularização da política, mais que evidente no fenômeno Palin. Mas também estamos frente ao desafio de compreender  como e porque o feminismo de corte “identitário” que marca a eleição norte-americana de 2008 está levando tanta água para moinho dos  neo-conservadores.

Realização   Apoio  
 
 
       
Tecnologia e Internet