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Visita do papa aos EUA: chance de melhorar a imagem, acredita o Vaticano
31 de março de 2008
Por LAURIE GOODSTEIN
Tradução: Tina Amado
WASHINGTON — Quando Benedito XVI fizer sua primeira visita papal aos Estados Unidos em abril, será guiado por um tarimbado embaixador do Vaticano que vê a visita como uma oportunidade de apresentar um papa pouco conhecido a um complexo conjunto de audiências: católicos americanos, americanos em geral e líderes globais de opinião pública.
“A imagem de Benedito XVI não só é pouco conhecida, mas também mal conhecida”, disse o Arcebispo Pietro Sambi que, como núncio apostólico, é o mais alto diplomata do Vaticano nos Estados Unidos. “Ele é conhecido como um homem intransigente, quase desumano”, continuou o arcebispo, em uma entrevista na embaixada do Vaticano em Washington. “Bastará vê-lo e ouvi-lo para mudar completamente essa idéia de um homem duro e desumano.”
A visita do papa, de 15 a 20 de abril, vai atrair católicos de todo o país para missas no Parque Nacional em Washington e no estádio do Yankees em Nova Iorque. Ele vai se encontrar com o Presidente Bush na Casa Branca e com educadores católicos na Universidade Católica da América em Washington, rezar no memorial do World Trade Center em Manhattan e discursar nas Nações Unidas.
Benedito, ex-professor, é um papa que cultiva as palavras mais do que os gestos dramáticos – em contraste com seu predecessor, Papa João Paulo II. O principal nessa viagem, disse o Arcebispo Sambi, será ouvir seus discursos na íntegra: “Ele não é uma pessoa de blá blá blá, é um pensador. Antes de falar, ele pensa. E reza muito”.
Como informou o arcebispo recentemente, funcionários estavam encerando os pisos da embaixada do Vaticano, aprontando-a para a visita do papa, que ficará lá nos seus três primeiros dias em solo americano. Na manhã de 16 abril, dia de seu 81o aniversário, o papa rezará missa na pequena capela da embaixada, na presença dos funcionários, e depois terá um café-da-manhã festivo antes de sair para a Casa Branca.
O Arcebispo Sambi, italiano, é veterano em receber visitas do papa. Representou a Santa Sé em Jerusalém durante sete anos, tendo servido antes na Indonésia, Chipre e Burundi. Chegou em Washington em 2005, quando a Igreja estava tentando se recuperar do escândalo do abuso sexual por padres e o país estava se atolando numa guerra no Iraque à qual o Vaticano tinha se oposto.
Os Estados Unidos serão apenas o sétimo país visitado pelo Papa Benedito desde sua eleição há três anos. Segundo o Arcebispo Sambi, a visita foi planejada esse ano para comemorar os 200 anos das dioceses de Nova Iorque, Filadélfia, Boston e Bardstown (no Kentucky, sede da primeira diocese no interior). Também faz 200 anos que a primeira diocese católica norte-americana, Baltimore, foi elevada a arquidiocese.
Embora o papa esteja chegando em plena campanha eleitoral para a presidência, o Arcebispo Sambi garantiu: “Posso assegurar que o papa não vai interferir de forma alguma no processo eleitoral. Não vai se encontrar com qualquer dos candidatos”. Mas é provável que o Papa Benedito toque em assuntos que têm a ver com a eleição: pobreza, guerra no Iraque, aborto e eutanásia, casamento de gays, degradação do ambiente e imigração ilegal. (Algumas dessas questões provavelmente serão abordadas em seu discurso nas Nações Unidas em 18 de abril. E é possível que o aborto venha à tona quando ele se encontrar com jovens católicos no Seminário de St. Joseph em Yonkers, NY.) O papa tem se manifestado sobre como os ensinamentos católicos se aplicam a todas essas questões.
“O papa vai falar sobre a doutrina da Igreja, que foi estabelecida há 2 mil anos, muito antes de existir um Partido Democrata ou Republicano nos Estados Unidos”, disse o Arcebispo Sambi.
Mas o objetivo principal do papa é cuidar de seu rebanho. A Igreja Católica nos EUA não vai bem. Mudanças demográficas, falta de padres, pressões financeiras levaram dioceses a fechar paróquias e escolas na zonas urbanas e a abri-las nos subúrbios e periferias. Os imigrantes hispânicos acorrem em grande número a essas paróquias, que lutam para atender a suas necessidades materiais e espirituais.
Esta é a primeira visita papal aos Estados Unidos desde que o escândalo do abuso sexual revelou milhares de vítimas, deixando famílias e paróquias devastadas. Quando a visita foi anunciada, especulou-se quanto ao papa ir a Boston, onde o escândalo surgiu em 2002; mas isso significaria trazer o escândalo novamente à tona. No entanto, o Arcebispo Sambi disse estar confiante em que o Papa Benedito irá abordar o escândalo durante sua visita.
Em um reconhecimento da diversidade religiosa norte-americana, Benedito irá reunir-se em Washington com muçulmanos, judeus, budistas, hinduístas e líderes de outras religiões. As autoridades católicas querem evitar contratempos como o que ocorreu na Alemanha em 2006, quando o papa ofendeu muçulmanos citando uma depreciação do Islã do século XIV, ou no Brasil no ano passado, quando uma linha de seu discurso provocou a ira dos povos indígenas. O Arcebispo Sambi retraiu-se quando lhe perguntaram se os discursos do papa seriam previamente revisados – e, caso positivo, por quem – respondendo apenas, “Isso é assunto interno”.
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