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NOTÍCIAS SOBRE JUNDIAÍ

 

Pela ordem 01/07/ 2008


Jornal de Jundiai

Lembra da pílula? - O polêmico projeto de lei apresentado por Miranda para proibir a distribuição da pílula do dia seguinte nas unidades de Saúde de Jundiaí contribuiu para o PSOL ter postura contrária à sua candidatura. Não foi o motivo central, mas contribuiu. Essa questão apareceu sim, mas não é só isso, afirmou Fernando Gameiro. Foi uma virgulinha dentro de todo o contexto, minimizou o coordenador do PSOL na Região, Vanderlei Victorino, que pode aparecer como novo candidato a prefeito.


Exclusivo: Cláudio Miranda retira candidatura a prefeito, 30/6/2008
Jornal de Jundiai
A eleição ainda nem começou em Jundiaí e a primeira bomba já estourou na noite de ontem: o vereador Cláudio Miranda retirou a sua candidatura a prefeito pelo PSOL. A razão: a notícia, que recebeu à tarde, do veto - 22 votos a 16 - da executiva nacional do partido para a coligação com o PPS local, que foi vetada. Com  isso, o eleitor jundiaiense terá apenas três opções nas eleições de outubro: Miguel Haddad (PSDB), Pedro Bigardi (PCdoB) e Gerson Sartori (PT). Miranda garante que não apoiará nenhum dos outros três candidatos.

Miranda, que é ligado a movimentos evangélicos e teria outro médico como vice, doutor Pacheco, disse, ontem, ao JJ Regional, que tomou um passa moleque do partido e que, por isso, a legenda implodiu em Jundiaí e pode nem ter candidato a vereador nas eleições de 5 de outubro. Estamos discutindo até isso, disse Miranda, que apareceria, segundo pesquisas realizadas por partidos envolvidos na disputa, com 6% de preferência do eleitorado.

Mandaram me avisar que não estavam satisfeitos com meu comportamento dentro do PSOL, principalmente no que diz respeito à minha posição no caso do projeto da pílula do dia seguinte. Foi apenas uma desculpa, eu sei. Se fosse mesmo isso, teriam me expulsado do partido quando defendi a proibição; não agora, após termos feito a convenção municipal. É uma vergonha para todos nós. Como fica, por exemplo, a posição do Pacheco, meu vice? Realmente, me senti traído, percebi que a coisa era contra mim, pessoal, e resolvi retirar minha candidatura a prefeito.

Miranda apresentou projeto proibindo a distribuição do anticoncepcional nas unidades de saúde da Prefeitura e também na rede privada. O projeto foi sancionado pelo prefeito Ary Fossen e causou muita polêmica. Uma polêmica que, segundo Miranda, lhe custou caro. Até a Heloísa Helena, nossa maior líder no PSOL me defendeu na executiva nacional, mas o deputado estadual Raúl Marcelo, de Sorocaba, fez um trabalho para vetar a coligação com o PPS em Jundiaí. De nada valeram meus argumentos dizendo que o PPS local nada tem a ver com o da Capital, que está junto com o PSDB, lamentou o agora ex-candidato Cláudio Miranda, que disse também ter sofrido muita pressão do bloco das mulheres do PSOL em razão de sua posição contra a pílula do dia seguinte.

Por tudo isso, me sinto desautorizado pelo partido e retiro minha candidatura a prefeito, finalizou, ontem à noite, por telefone, o médico Cláudio Miranda. Seu futuro no partido, segundo ele, ainda não está decidido.

DA REPORTAGEM LOCAL


Maio em favor da vida
Jornal de Jundiaí, 25/5/2008

Dom Gil Antônio Moreira

Estamos findando um mês abençoado nos esforços em favor da vida. Algumas iniciativas em nível nacional e outras no âmbito de nossa Diocese marcam, ao menos, quatro pontos vitoriosos na luta em defesa da dignidade humana.  Dia 5 de maio, em Brasília, foi assinado por cientistas e  juristas, um documento publicado com o título DECLARAÇÃO DE BRASILIA, de enorme importância para o conhecimento a respeito de células-tronco. O texto, pela sua autoridade científica, certamente servirá para futuros pronunciamentos no STF.

A Declaração é importante ainda para que as pessoas com deficiências físicas ou acometidas de outras doenças possam saber a verdade a respeito de possíveis tratamentos e cura, advindos de tais células.

Os signatários, a respeito das afirmações que têm surgido na imprensa sobre estas possíveis curas, escreveram: Não temos receio em afirmar com toda ênfase, que tal dilema é falso; como consta em texto divulgado por 57cientistas norte-americanos, em 27 de outubro de 2004, bastante atual: "Baseado nas evidências disponíveis, ninguém pode predizer com certeza se as células-tronco embrionárias humanas, em alguma época, produzirão benefícios clínicos, e, muito menos, benefícios que não sejam obtidos por outros meios menos problemáticos do ponto de vista ético".

Para esperança dos deficientes, o documento aponta possibilidade de tratamento e cura com células-tronco adultas e afirma:  "Ao contrário do que tem sido veiculado e acriticamente aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são a grande promessa para gerar terapias. Na verdade, são as células-tronco adultas que têm produzido expressivos resultados, que se apresentam ainda mais promissores depois do desenvolvimento da técnica de indução de pluripotencialidade em células adultas(...) Já há mais de 20.000 pacientes em tratamento clínico, envolvendo pelo menos 73 doenças diferentes, em geral com bons resultados para a qualidade de vida dos pacientes".

A segunda grande notícia veio no dia 7 de maio, quando foi votado na Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1135/91 que tenta legalizar o aborto no País. Era momento de grande tensão, uma vez que tal matéria já se encontrava para ser votada há 17 anos. Após uma sessão tumultuada por sete parlamentares favoráveis ao aborto que se retiraram da sala, a matéria foi votada tranqüilamente e houve rejeição unânime, por trinta e três a zero, do referido projeto de lei abortista.

Sentiram-se também derrotadas as chamadas ´Católicas pelo Direito de Decidir´ (que embora se intitulando ´católicas´ não o são de fato) que participavam dos tumultos provocados com objetivo de impedir, a todo custo, por meios antidemocráticos, a votação.
Em Jundiaí, dois eventos importantes marcaram os caminhos favoráveis à vida. No primeiro sábado do mês, a Diocese promoveu palestra sobre células-tronco, proferida pela Dra. Alice Teixeira Ferreira, Professora de Biofísica da UNIFESP/EPM, na área de Biologia Celular, que falou especialmente para pessoas portadoras de deficiências físicas, no auditório da Cúria Diocesana. Estavam presentes cadeirantes e outras pessoas representativas de várias entidades ligadas à saúde.

Sem dúvida, se torna histórica também a ´Semana da Enfermagem´ organizada pelo Hospital São Vicente, com palestra de Dra. Lilian Piñero Eça, Biomédica com habilitação em Microbiologia, Doutora em Biologia Molecular e pesquisadora no Laboratório do ICAO. O evento se realizou no auditório da UNIP com participação de grande número de alunos de enfermagem e outros cursos.

As Biomédicas  demonstraram a ineficácia do uso de células embrionárias e as perspectivas animadoras com células-adultas, o que resolve o problema ético de matar embriões humanos em vista da pesquisa.  Para celebrar estas vitórias, nada melhor que encerrar este artigo com a frase contida na Declaração de Brasília: "O direito à vida é o primeiro e o pressuposto de exercício de todos os demais direitos".

Dom Gil Antônio Moreira
é Bispo Diocesano de Jundiaí. E-mail: secretariabispo@diocesedejundiai
.org.br

^ Sobe


Pela Ordem
Jornal de Jundiaí
13/5/2008


PSOL contra PSOL

A Comissão Executiva Estadual do PSOL divulgou nota em que considera "descabida" a lei municipal de Jundiaí que proíbe a distribuição da ´pílula do dia seguinte´ no sistema público de saúde. O partido entende "se tratar de uma medida que ataca os direitos das mulheres, principalmente das camadas populares". O criador do projeto que virou lei é Cláudio Miranda, vereador do próprio PSOL.


NOTA DO PSOL/SP SOBRE A PROIBIÇÃO DA PÍLULA DO DIA SEGUINTE
Jornal de Jundiaí
São Paulo, 07 de maio de 2008

A Comissão Executiva Estadual do Partido Socialismo e Liberdade de São Paulo/PSOL-SP considera descabida a lei municipal da cidade de Jundiaí que proíbe a distribuição da "pílula do dia seguinte" — como é conhecida a contracepção de emergência— no sistema público de saúde por entender se tratar de uma medida que ataca os direitos das mulheres, principalmente das camadas populares. O PSOL/SP apóia a sentença da Justiça que já declarou a inconstitucionalidade de tal medida em diversas outras cidades.

A pílula do dia seguinte age na inibição de uma possível gravidez, impedindo a ovulação e a mobilidade dos espermatozóides no útero não permitindo a fecundação e, consequentemente, a gravidez. O medicamento é indicado em casos de estupro ou quando houve falha do método convencional. Assim a pílula evita arrependimentos, sofrimentos, abortos violentos e uma gravidez sem desejos nem condições de assumi-la.

Para o PSOL, tendo como perspectiva a saúde pública, o uso da anticoncepção de emergência é um recurso importante porque reduz o número de gestações indesejadas, diminuindo a necessidade de se recorrer ao aborto.

Segundo dados da Secretária de Saúde do Estado a pílula tem reduzido em pelo menos 10% o número de abortos praticados por adolescentes. Nos últimos anos, de 40 mil a 45 mil mulheres vêm sendo internadas anualmente nos serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) no Estado em decorrência de complicações de abortos. Dessas, quase 25% são menores de 19 anos. O número real de abortos pode ser três a quatro vezes maiores.

Para se ter o efeito desejado são necessárias duas unidades da pílula e segundo fontes oficiais isto corresponde a uma carga hormonal aproximadamente até 12 comprimidos da pílula anticoncepcional convencional e que faz provocar uma série de efeitos colaterais. Por isto, defendemos a ampliação da distribuição, mas acompanhada por ampla campanha educacional.

A campanha educacional e de conscientização se faz necessária porque a anticoncepção de emergência somente evita a gravidez indesejada. Ela não impede a transmissão de infecções, inclusive do HIV. E daí a importância do uso de camisinha em toda e qualquer relação, dentro ou fora do casamento.

O PSOL é favorável à legalização do aborto!

O PSOL defende a descriminalização e legalização do aborto, conjugadas a uma política de saúde sexual e reprodutiva nos marcos do SUS (Sistema Único de Saúde), universal, pública, de qualidade, que inclua:

Uma Educação Sexual não machista e não homofóbica; Informação sobre todos os métodos anticoncepcionais e o acesso irrestrito a eles; O direito à realização de aborto em casos de gravidez indesejada; A regulamentação da assistência ao aborto, realizado até a 12a. semana de gestação, por equipe multiprofissional (médica, enfermeira, psicóloga, assistente social) preparada técnica e humanamente; O direito à maternidade, através de uma assistência qualificada ao pré-natal, parto e pós-parto, direito à licença-maternidade e estabilidade no emprego, creche em período integral nos locais de estudo e trabalho, educação pública, universal, de qualidade em todos os níveis, direito ao trabalho, à moradia, ao lazer.

Para o PSOL, esse é o significado pleno da defesa da vida!


Pela ordem
Jornal de Jundiaí
30/04/2008

Contrário... e daí? - O projeto de lei do parlamentar Júlio César de Oliveira, o Julião, relacionado à licença-gestante e ao afastamento- paternidade, trouxe de volta à cena a discussão sobre a inconstitucionalidade dos itens. Nos bastidores, o comentário é de que os vereadores não gostaram da afirmação de que 97% dos projetos por eles apresentados são inconstitucionais. Cláudio Miranda, autor do polêmico (e aprovado) projeto sobre a pílula do dia seguinte, quis se manifestar. "Embora haja vício de ilegalidade, é importante que um projeto como esse seja discutido." Já Doca completou: "A gente respeita a Consultoria Jurídica, mas não é ela quem diz o que é ilegal ou não."  (Roberta Borges)


A proibição vai parar no MP
Jornal de Jundiaí
01/05/2008

Proibição da pílula do dia seguinte trouxe entidades a Jundiaí para protesto e ação

Diversas entidades entraram com uma representação junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo para solicitar ação direta de inconstitucionalidade, garantia imediata de acesso ao medicamento de contracepção de emergência (popularmente conhecido como pílula do dia seguinte), pedido de improbidade administrativa do Prefeito Ary Fossen e de vereadores e pedido de intervenção do Estado em Jundiaí.

No entendimento dessas entidades, a Lei 7.025/08 de Jundiaí, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito - determinando que o medicamento não pode ser disponibilizado nos serviços públicos e privados - , fere direitos dos cidadãos, não tem argumentos científicos atualizados e atende, em parte, a solicitações da Igreja Católica (que é contra o uso da pílula).

Ontem, as entidades entregaram documentação à promotora de Justiça do Ministério Público da Comarca de Jundiaí, Vera Crotti. Segundo informações do próprio MP, no entanto, a representação será encaminhada ao Procurador-geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira, já que a promotora não tem poder para propor ação direta de inconstitucionalidade.

O documento é assinado pela Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), CCR (Comissão de Cidadania e Reprodução), Cladem Brasil (Comitê Latino Americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher), Instituto Antígona, Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos, Rede CE (Rede Brasileira de Promoção de Informações e Disponibilização da Contracepção de Emergência), Jornadas pelo Aborto Legal e Seguro, Católicas pelo Direito de Decidir, Aníbal Faúndes (médico, ginecologista e obstetra e diretor do Cemicamp - Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas) e Ipas Brasil.

Ontem, em coletiva de imprensa, representantes de algumas entidades explicaram os motivos que levaram à representação. "Um dos argumentos que o prefeito Ary Fossen utilizou para justificar a sanção foi o fato de ser ´temente a Deus´. Quem governa não pode levar em consideração opiniões ou crenças pessoais", afirmou Margareth Arilha, diretora executiva da CCR. "Improbidade administrativa não é só desviar verbas. O prefeito violou o princípio da legalidade e imparciabilidade. Vereadores também aprovaram uma lei sabidamente inconstitucional", completou.

"As assessorias do prefeito e da Câmara Municipal haviam alertado as autoridades sobre a inconstitucionalidade e de nada adiantou." Outro fator que preocupa as entidades diz respeito a mulheres que sofrem violência sexual. "Essas mulheres ficariam desamparadas e seriam submetidas a uma situação indigna, sem poder recorrer à pílula, após um estupro", diz Margareth.

De acordo com o médico Aníbal Faúndes, a pílula não causa prejuízos à saúde e não provoca aborto. "Se o óvulo já tiver sido fecundado ou se já estiver pronto para ser fecundado, o medicamento não dá efeito. Ele deve ser ingerido antes disso e, portanto, não poderia provocar um aborto", garantiu. "Aliás, o medicamento impede que haja fecundação e impede que a pessoa, mais para frente, vá em busca de fazer um aborto porque não deseja a criança", defendeu.

À espera - O vereador Claudio Miranda (PSOL), autor do polêmico projeto de lei, soube da representação pela reportagem do JJ Regional. "Agora, então, é esperar que a justiça decida", comentou. Miranda afirma que a pílula contém hormônios e é prejudicial. Sobre vítimas de violência sexual, o vereador afirmou: "A mulher que sofre a violência recebe coquetel anti-aids e pílula do dia seguinte do Estado, após passar por exame de corpo de delito, no IML." O prefeito Ary Fossen não se pronunciou.

PATRÍCIA BAPTISTA

^ Sobe


Prefeitura e Câmara aguardam MP
Jornal de Jundiaí
06/05/2008

A Prefeitura e a Câmara de Jundiaí estão à espera de um posicionamento por parte do Ministério Público do Estado de São Paulo sobre a proibição do acesso ao medicamento de contracepção de emergência - a 'pílula do dia seguinte' - no serviço público e privado de saúde do município.  Por enquanto, segundo a administração, o contraceptivo de emergência 'Levonorgestrel' não está sendo entregue pela rede pública.

A representação foi apresentada ao MP, na semana passada, por diversas entidades, que solicitavam ação direta de inconstitucionalidade, garantia imediata de distribuição da pílula, pedido de improbidade administrativa do prefeito Ary Fossen e de vereadores e pedido de intervenção do Estado no município. O documento foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira.  

A Prefeitura informou que vai aguardar o posicionamento definitivo do Ministério da Saúde e da Procuradoria Geral da União sobre a questão e que, só após ser notificada oficialmente, vai se posicionar sobre o assunto. O presidente da Câmara, Luiz Fernando Machado (PSDB), afirmou que os parlamentares também vão respeitar a ação e ressaltou a legitimidade do questionamento.

No entanto, Machado observou que o Legislativo tem o poder de abordar assuntos de interesse da comunidade. "Mostramos isso no plenário, quando o projeto foi aprovado por unanimidade. Como as entidades buscaram uma medida judicial, resta agora esperar o posicionamento do Ministério. Não há nada a fazer." Como justificativa, as entidades avaliaram que a lei 7.025/08 fere direitos dos cidadãos, não tem argumentos científicos atualizados e atende, em parte, a solicitações da Igreja Católica - que é contra o uso do contraceptivo.

Só com liberação - A distribuição da 'pílula do dia seguinte' era feita nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Ambulatório de Saúde da Mulher por meio da solicitação de mulheres que registravam falha ou ausência de outro método contraceptivo.
De acordo com a Prefeitura, o processo não ocorria de modo indiscriminado e dependia da liberação médica. Na cidade, vítimas de violência sexual eram as principais usuárias do medicamento. 

ROBERTA BORGES


Câmara: 97% de leis inúteis, 24/04/2008
Jornal de Jundiaí

Pela Consultoria Jurídica da Câmara de Jundiaí, passam, em média, cinco projetos por semana. Em um mês, entre os cerca de 20 itens analisados, 97% saem da sala com um carimbo: parecer ilegal ou inconstitucional. Os vereadores já sabem que serviços públicos, criação de órgãos ou atribuição de secretarias, finanças e peça orçamentária e funcionamento de órgãos municipais são assuntos sobre os quais eles não podem legislar. Ainda assim, a vontade de mostrar serviço vai além da lei - e eles continuam a criar projetos.

Há tempos o doutor em Direito do Estado e consultor jurídico da Casa de Leis, João Jampaulo Jr., não via vereadores tão 'ousados'. Segundo ele, a consultoria explica, tecnicamente, que o projeto não é constitucional, no entanto, quando ele segue para a Comissão de Justiça e Redação, os membros derrubam o parecer. "Na quase totalidade dos casos, o projeto chega ao plenário", relata. De acordo com o consultor, a situação piora em ano eleitoral. "Muitos querem fazer em seis meses o que não fizeram em quatro anos."

Neste processo, corre o tempo na Câmara. Um projeto, desde o momento em que o vereador tem a iniciativa de apresentá-lo, passando pela avaliação da consultoria, da comissão, dos vereadores e, por fim, do próprio prefeito, leva no mínimo dois meses para ser concluído - o tempo é menor apenas quando há pedidos de urgência. Tudo para ser aprovado e sofrer o risco de não valer de nada, já que, de início, nem poderia ter existido.

O presidente da comissão, Adilson Rosa (PR), confessa que adota alguns pareceres, mas dispensa outros. "Tudo depende do mérito. Se o tema vai contribuir para o debate político, fazemos uma exceção e levamos para o plenário."

Ousar com limite - Segundo Jampaulo Jr., a história dos projetos inconstitucionais é antiga. Tudo começou com a Lei Orgânica do Município, criada em 1990. Durante a implantação, os vereadores passaram por uma série de atividades, como palestras e debates, sobre o assunto. Certo dia, em uma delas, um deputado comentou que, a partir de então, os parlamentares deveriam ousar mais. "Com a lei, o município ganhou mais autonomia constitucional, legal e financeira", conta ele, que corrige. "O deputado falou para eles ousarem, mas dentro do limite da lei", salienta.

Porém, ninguém entendeu isso. Nos meados de 1990, a Casa de Leis recebeu uma enxurrada de projetos ilegais e inconstitucionais. Os exageros foram tantos que, à época, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em entrevista a uma rádio da Capital, comentou que Jundiaí era a cidade que mais editava leis inconstitucionais no País. "O grande erro foi os vereadores entenderem que a Lei Orgânica é uma constituição municipal. Não é. O município tem apenas o direito de elaborar esta lei, que obedece à Constituição Federal e Estadual."

Até a última - Com base em duas regras básicas da Câmara - competência (o que o município pode fazer) e iniciativa (se deve partir do vereador ou do prefeito) -, com o tempo, a Casa de Leis passou a agir com mais força sobre o controle de projetos inconstitucionais. Em meados de 1995, os itens passaram a ser barrados na própria Comissão de Justiça e Redação. E assim foi até 2004. "Até a legislatura passada, isso fez com que segurássemos boa parte dos projetos ilegais", lembra Jampaulo.

Outro caminho era mostrar ao parlamentar que era possível expressar a vontade de outras formas - é por isso que existem as moções, indicações, etc. O consultor espera colocar a Câmara nos eixos no próximo ano. Os 16 vereadores - entre novos e antigos - que assumirão as cadeiras da Casa de Leis passarão por um curso de processo legislativo. "É um zelo que os legisladores têm de ter", conclui.

ROBERTA BORGES


Rankings podem estimular inconstitucionais
Jornal de Jundiaí
24/04/2008

Pílula do dia seguinte, divulgação de atos licitatórios nos jornais do município, medidas de prevenção e controle da dengue, tempo de entrega para motoboys e radar eletrônico móvel e estático no trânsito de Jundiaí estão entre os diversos projetos de lei polêmicos e inconstitucionais, apresentados pelos vereadores no último ano.

Para o consultor jurídico da Câmara, João Jampaulo Jr., os parlamentares querem mostrar serviço - principalmente por conta de rankings como o elaborado pela ONG Voto Consciente. "Como eles contabilizam a quantidade de projetos que cada vereador apresentou, muitos fazem de tudo para ter um bom número", avalia Jampaulo Jr..

Divulgada em fevereiro, a pesquisa colocou a petista Marilena Negro em primeiro lugar no ranking. Cláudio Miranda (PSOL) teve a pior nota e ficou em último. Segundo o secretário geral da ONG, Henrique Parra, o critério é a quantidade. No entanto, o Voto estuda a possibilidade de mudar para a qualidade do projeto. "A gente se cobra muito porque sabe dos projetos inconstitucionais. Mas eles só vão a plenário por distorções da própria Câmara", critica.

Punição - Os projetos inconstitucionais, se vetados pelo Prefeito, saem do Executivo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), além de outro termo que o suspende .
Caso seja aprovada, apesar de não seguir a Constituição, a lei só poderá ser derrubada quando uma pessoa ou entidade levar o caso ao Poder Judiciário. "A justiça tem de ser provocada", diz Jampaulo Jr.

ROBERTA BORGES



20/4/2008
A pílula do dia seguinte
ornal de Jundiaí

O assunto é de muita polêmica. Ela é abortiva ou não? Não tenho dúvida que seja, de acordo com a bioética que afirma ter o ser humano seu início na fecundação. Se é abortiva, é anticonstitucional distribuí-la, uma vez que, no Brasil, os únicos casos de aborto legal não prevêem esta modalidade.

 Respeitáveis médicos e cientistas, no mundo, no Brasil e em nossa cidade, têm demonstrado, com clareza, os efeitos abortivos do medicamento. Podem ser citados Dr. Jéròme Lejeune, da área mundial, Dra. Lílian Piñeiro Eça, no País, Dr. Eurico Malagodi e Dr.Albino Fávaro Neto, em Jundiaí, entre outros.

Além de seu efeito abortivo, os cientistas afirmam o caráter extremamente agressivo ao organismo feminino, podendo até mesmo causar  óbito.

Em Jundiaí, uma abalizada argumentação do médico, vereador Dr. Cláudio Miranda, possibilitou à Câmara Municipal aprovar praticamente por unanimidade, com apenas uma abstenção e nenhum voto contrário, a proibição da distribuição do referido medicamento no município. O conceituado médico, usando de seus conhecimentos profissionais, demonstrou de forma irrefutável o quanto prejudicial a tal pílula é para o organismo feminino, ´uma verdadeira bomba hormonal´. O senhor prefeito, sabiamente, sancionou a lei.

Causa-me muita estranheza que pessoas inconformadas com a decisão têm afirmado que as autoridades municipais agiram por pressão do bispo diocesano. Infelizmente, o termo tem sido repetido até mesmo por parte da mídia local, mas, a meu ver, sem a devida informação a respeito da veracidade dos fatos. Por isso, julgo ser meu dever informar aos caros jornalistas e aos prezados leitores sobre a  verdade na  questão. No exercício da liberdade democrática de emitir minha opinião sobre aspectos importantes da vida pública, não fiz e não faço pressão sobre ninguém, pois sei respeitar a liberdade dos meus semelhantes e tenho a maior atenção ao trabalho sério de nossos governantes, independentemente de seus partidos. Sabemos que eles não precisam ser pressionados para tomarem suas decisões, uma vez que são dotados de maturidade humana e bastante livres para agirem conforme a sua própria consciência. O fato de manifestar minha simpatia ao projeto de Dr. Cláudio Miranda não pode, honestamente, ser classificado de pressão. Ao senhor prefeito não foi nem mesmo necessário dar minha opinião a este respeito. Apenas ouvi dele, em um encontro informal, que  não iria vetar a lei, por dever de consciência.

Não posso crer também que os motivos para a votação unânime tenham tido influência religiosa, pois na Câmara de Jundiaí há vereadores de vários credos, tendo todos votado favoravelmente, com apenas uma abstenção, sendo evangélico inclusive Dr. Cláudio, o autor do projeto de lei.

Nem se pode afirmar que seja um simples resultado da Campanha da Fraternidade, porque o projeto de Dr. Cláudio é do ano passado, portanto anterior à CF.  Também não vejo nenhum interesse eleitoreiro na aprovação da lei, pois o vereador proponente pertence à oposição política ao prefeito e este, isento de paixões partidaristas, quis livremente sancioná-la.

Um fato recentíssimo vem corroborar a sábia decisão da Câmara de Jundiaí, que foi a condenação da ´pílula do dia seguinte´, não numa cidade, mas em todo um país, que é o Chile, seguindo o exemplo de outras nações. É necessário também recordar que não foi Jundiaí a primeira cidade brasileira a proibir o uso da tal pílula, havendo ao menos quatro outras que a precederam.

A eventual desaprovação da referida pílula em outras Câmaras Municipais se tornaria uma realidade, não fosse a pressão de forças do Governo Federal que, incompreensivelmente se negam a aceitar o seu caráter abortivo, contrariando assim a ciência, e não querem enxergar os danos que ela causa às mulheres.

Oxalá o Brasil, constituído de um povo feliz com a vida, francamente contrário a leis abortistas, tenha a coragem de dar uma grande lição ao mundo de respeito à dignidade da vida e do valor incondicional da pessoa humana!

Dom Gil Antônio Moreira é bispo diocesano de Jundiaí

Esta notícia foi atualizada em 19/4/2008 às 22:11



19/4/2008
Pela ordem 19/04
Jornal de Jundiaí

Pílula indigesta - A ONG Comissão de Cidadania e Reprodução visitou a Promotoria Pública de Jundiaí e foi informada que a promotora Vera Crott já recebeu pedido de inconstitucionalidade da lei 7025/08, que proíbe a distribuição da 'pílula do dia seguinte' em Jundiaí. O documento já foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado de Saõ Paulo. "A sociedade de Jundiaí tem o direito de ser esclarecida de que a contracepção de emergência não é um medicamento abortivo, e que não causa danos à saúde", opinou a diretora-executiva da ONG, Margareth Arilha. 

Rebatida - O bispo diocesano de Jundiaí, dom Gil Antônio Moreira, rebate em seu artigo, que será publicado amanhã no JJ, a informação de ter pressionado os poderes locais para a aprovação da lei antipílula. "Causa-me muita estranheza que pessoas inconformadas com a decisão têm afirmado que as autoridades municipais agiram por pressão do bispo diocesano. O termo tem sido repetido por parte da mídia local, mas, a meu ver, sem a devida informação a respeito da veracidade dos fatos." 



PSOL
Jornal de Jundiaí

18/4/2008
Partido lança candidatura
Enquanto a lei antipílula repercute, o PSOL convoca os filiados de Jundiaí e região para o lançamento da candidatura própria a prefeito da sigla. O nome do vereador Cláudio Miranda deve ser confirmado em encontro neste sábado, na sede do partido, a partir das 9h30.  "Lançaremos também alguns pontos do nosso pré-programa de governo", destaca o coordenador do PSOL, Vanderlei Victorino.

Com a confirmação do parlamentar como candidato ficam mais fortes as especulações sobre composição com outros partidos de oposição. Mas Victorino avisa: "o PPS se precipitou ao falar na imprensa sobre a união com o PSOL".

O dirigente se refere à informação de que Antônio de Pádua Pacheco, do PPS, já estaria ´fechado´ para ser o candidato a vice-prefeito de Miranda. "Já tivemos conversas com o PCdoB, PSB e PT também. Temos de esgotar todas as possibilidades de composição ainda, já que pretendemos ir para o segundo turno. E isso não é falácia."

THIAGO GODINHO



CENA POLÍTICA
Jornal de Jundiaí

18/4/2008
Pela ordem 18/04
Sem comentários - O vereador Cláudio Miranda evitou comentar a posição do movimento feminino do PSOL sobre a lei contra a ´pílula do dia seguinte´, de sua autoria. Enfático, o parlamentar já avisou: "Sem comentários sobre isso". Após a insistência na pergunta, ele afirmou que se as mulheres do PSOL vierem a Jundiaí serão "muito bem recebidas" por ele.  A Secretaria de Mulheres do partido, em São Paulo, que defende a liberdade feminina, quer mais detalhes sobre a lei. Para isso, um encontro com o parlamentar, em Jundiaí, será marcado em breve.

CENA POLÍTICA
Jornal de Jundiaí

17/4/2008

Pela ordem 17/04
'Não aguento mais' - Se o PSOL terá de dar explicações sobre a lei antipílula, o mesmo já acontece com o prefeito Ary Fossen, em outra esfera. O chefe do Executivo tem reclamado no Paço da demanda de perguntas de jornalistas de todo o Estado de São Paulo sobre a sanção da lei. Ary já foi procurado por jornais e tevês, especialmente após o Ministério da Saúde ter anunciado a tentativa de derrubada da norma em Jundiaí. Em todas as entrevistas, o prefeito segue a mema linha nas respostas: "Sempre norteei minha vida pública sobre estes pilares: ética, moral e fé."



PREFEITURA
Jornal de Jundiaí

17/4/2008
Partido lança candidatura

Enquanto a lei antipílula repercute, o PSOL convoca os filiados de Jundiaí e região para o lançamento da candidatura própria a prefeito da sigla. O nome do vereador Cláudio Miranda deve ser confirmado em encontro neste sábado, na sede do partido, a partir das 9h30.  "Lançaremos também alguns pontos do nosso pré-programa de governo", destaca o coordenador do PSOL, Vanderlei Victorino.

Com a confirmação do parlamentar como candidato ficam mais fortes as especulações sobre composição com outros partidos de oposição. Mas Victorino avisa: "o PPS se precipitou ao falar na imprensa sobre a união com o PSOL".

O dirigente se refere à informação de que Antônio de Pádua Pacheco, do PPS, já estaria 'fechado' para ser o candidato a vice-prefeito de Miranda. "Já tivemos conversas com o PCdoB, PSB e PT também. Temos de esgotar todas as possibilidades de composição ainda, já que pretendemos ir para o segundo turno. E isso não é falácia."

THIAGO GODINHO



PSOL
Jornal de Jundiaí

17/4/2008
Mulheres atacam Miranda

"Informação sobre todos os métodos anticoncepcionais e o acesso irrestrito a eles." Este é uma dos itens da Resolução do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) após o 1º Congresso da legenda sobre o aborto, em 2007. A deliberação vai na contramão da lei aprovada em Jundiaí, por iniciativa do vereador do PSOL, Cláudio Miranda. Após sanção do prefeito Ary Fossen, ficou proibida, desde o início do mês, a distribuição da 'pílula do dia seguinte' na rede municipal de Saúde.

Agora, a Secretaria de Mulheres do partido, em São Paulo, quer saber em quais circunstâncias Miranda criou a proposta. Para isso, um encontro com o parlamentar, em Jundiaí, deve ser marcado em breve. "O partido prega que toda mulher tem direito de saber se quer ter um filho. É uma posição geral, mas cada caso tem de ser analisado individualmente", definiu Maira Kubik, uma das componentes da Secretaria das Mulheres da capital. "Vamos conversar primeiro para saber a realidade da cidade e definirmos realmente qual será nosso posicionamento sobre essa lei", afirma.

Miranda justifica que o projeto foi criado justamente para beneficiar as mulheres em relação ao uso indiscriminado do método contraceptivo. "É uma bomba hormonal", costuma definir o legislador que é médico cardiologista. Ontem, ele não foi encontrado por telefone para comentar o assunto.

No aspecto de controle do uso do método, as mulheres do PSOL e Miranda concordam. "A pílula deve ser entregue com a devida orientação sobre a saúde da mulher e planejamento familiar", afirma Maira.

O projeto de lei foi aprovado após pressão do bispo diocesano de Jundiaí, dom Gil Antônio Moreira, na Câmara e na Prefeitura. No dia 20 de fevereiro, o líder religioso apresentou o tema da Campanha da Fraternidade no Legislativo e enfatizou que pediria ao prefeito a aprovação do então projeto de lei proposto por Miranda. No início de abril, Ary sancionou a lei, contrariando até um parecer de inconstitucionalidade já emitido pela Consultoria Jurídica da Câmara. Agora, o Ministério da Saúde pretende derrubar a lei sob o mesmo argumento jurídico.

Sem religião - O coordenador do PSOL em Jundiaí, Vanderlei Victorino, minimiza a polêmica reiterando a posição do vereador de que "não se trata de uma lei religiosa". "Mães, pais e trabalhadores da área de saúde procuraram o Cláudio para questionar a má distribuição da pílula." Segundo Victorino, o PSOL de Jundiaí "está aberto para o debate" com as mulheres de São Paulo. "Tanto que o nosso programa de governo contará com a colaboração delas", adianta.

THIAGO GODINHO 



PÍLULA DO DIA SEGUINTE
Jornal de Jundiaí

16/4/2008
Distribuição de medicamento é "perigosa"
Dom Gil ainda afirmou que não fez pressão para o projeto ser aprovado
VALTER TOZETTO JR.
Dom Gil ainda afirmou que não fez pressão para o projeto ser aprovado

O bispo diocesano dom Gil Antônio Moreira afirmou, na manhã de ontem, que vê com preocupação o posicionamento do Ministério da Saúde, que pretende derrubar a lei que impede a distribuição dos anticoncepcionais de emergência - as chamadas ´pílulas do dia seguinte´ - na rede pública de saúde de Jundiaí. "É preocupante retomar um sistema de distribuição de um medicamento abortivo e danoso ao organismo feminino", observou.

Durante a reunião geral do clero, realizada na sede da Cúria Diocesana, dom Gil analisou que o projeto é de autoria de um médico - o vereador Cláudio Miranda (PSOL) -, cuja argumentação não está baseada no aborto, mas nos danos causados à mulher. O bispo ainda acrescentou que a questão não tem caráter religioso, já que Miranda não segue o catolicismo, mas pertence à Igreja Batista. "É claro que a igreja concorda com o projeto, mas não fiz nenhum tipo de pressão. Os vereadores e o prefeito são maiores de idade e não precisam disso. Dei e dou apoio porque acredito que esta pílula não deve ser distribuída", ressaltou.

Para ele, o Ministério deveria se atentar ao fato de que Jundiaí não é a primeira cidade a criar um projeto deste teor. "O Governo Federal deveria refletir sobre isso. No caso de Jundiaí, o projeto não é religioso e nem eleitoreiro." Em Anápolis (GO), São José dos Campos, Jacareí e Pindamonhangaba, o órgão também atuou e leis semelhantes foram derrubadas após uma intervenção da Justiça.

O criador da lei ´antipílula´, Cláudio Miranda, classificou a iniciativa do Ministério como ´ruim para a Saúde´. De acordo com o vereador, nas outras cidades em que houve interferência federal, o órgão se baseou na inexistência de pareceres técnicos dos projetos. "As propostas falavam de questões religiosas, diferentemente da minha, que enfoca uma questão de saúde pública." Na sessão ordinária de ontem, Miranda frisou que espera ser defendido pelos companheiros de Legislativo que o ajudaram a aprovar o projeto.

Competência da União - A diretora substituta do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Lena Peres, informou, na última segunda-feira, que um parecer deveria ser enviado ontem ao procurador-geral da União argumentando a inconstitucionalidade da medida adotada em Jundiaí - seria um pedido de Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade). O parecer, no entanto, não está pronto e deve ser enviado à Procuradoria Geral da República até sexta-feira.

Em nota divulgada em janeiro, o órgão defende que a pílula anticoncepcional de emergência não é abortiva e que seu uso deve ser prescrito por um médico e reservado para situações excepcionais. O texto ainda enfatiza que "é um direito assegurado pela Constituição Federal e pela lei nº 9.263, que regulamenta o planejamento familiar, o acesso das pessoas às informações, métodos e técnicas para a concepção e para a anticoncepção".

ROBERTA BORGES
Esta notícia foi atualizada em 15/4/2008 às 22:19


SAÚDE
Jornal de Jundiaí

15/4/2008
O Ministério da Saúde quer derrubar lei antipílula já
Vereadores aprovam projeto mesmo após parecer contrário do Jurídico: primeiro passo para a aprovação
ARQUIVO JJ
Vereadores aprovam projeto mesmo após parecer contrário do Jurídico: primeiro passo para a aprovação
O Ministério da Saúde pretende derrubar a lei que proíbe a distribuição da ´pílula do dia seguinte´ na rede municipal de Saúde de Jundiaí. Aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado no início do mês pelo prefeito Ary Fossen (PSDB), o projeto foi apresentado po Cláudio Miranda (PSOL) e teve aval do bispo diocesano dom Gil Antônio Moreira. O objetivo, segundo a proposta de Miranda (que é médico), foi de preservar a saúde da mulher.

De acordo com a diretora substituta do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Lena Peres, um parecer deve ser enviado hoje ao procurador-geral da União argumentando a inconstitucionalidade da medida adotada em Jundiaí. "Entendemos que a restrição do modelo contraceptivo tem relação com o planejamento familiar, que só pode ser legislado pela União", ressaltou.

A mesma atitude do órgão federal ocorreu em outros quatro municípios: Anápolis (GO), São José dos Campos, Jacareí e Pindamonhangaba. Nelas, leis semelhantes foram derrubadas após intervenção da Justiça. Da Procuradoria deve partir um pedido de Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade). "Nessas cidades, conseguimos suspender bem rápido."

Segundo Lena, o Governo Federal tomou conhecimento da Lei em Jundiaí antes mesmo da aprovação pelo prefeito Ary Fossen (PSDB). As informações foram transmitidas por organizações feministas ao Ministério. "Tentamos, antes da sanção, um contato com a secretaria de Saúde local, mas não houve acordo."

A diretora do Ministério da Saúde analisa que a questão não pode ser encarada por meio do ponto de vista da Igreja Católica. "O Estado é laico, vai além das questões religiosas."

Pressão - A lei foi aprovada em Jundiaí após pressão do bispo diocesano dom Gil Antônio Moreira, na Câmara e Prefeitura. No dia 20 de fevereiro, ele apresentou o tema da Campanha da Fraternidade no Legislativo e enfatizou que pediria ao prefeito a aprovação do projeto de lei proposto por Miranda. No início de abril, Ary sancionou a lei, com um detalhe: vereadores e o chefe do Executivo contrariaram parecer de inconstitucionalidade já emitido pela Consultoria Jurídica da Câmara.

Por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, o prefeito diz que promulgou a lei "por ser um homem temente a Deus, com princípios éticos e morais." Em relação aos aspectos técnicos, Ary se baseou na mesma justificativa de Miranda, que enfocou o excesso de hormônios contidos na pílula. "Minha decisão foi tomada pensando na preservação da vida das mulheres", concluiu.

THIAGO GODINHO

Esta notícia foi atualizada em 14/4/2008 às 21:27



CENA POLÍTICA
Jornal de Jundiaí

15/4/2008
Pela Ordem 15/04

Ora, pílulas - A polêmica sobre a lei que proíbe a distribuição da 'pílula do dia seguinte' na rede municipal de Saúde de Jundiaí ganhou destaque na imprensa da capital, nesse final de semana. O jornal "O Estado de São Paulo" divulgou a intenção do Ministério da Saúde em recorrer à Justiça contra a medida. Uma das entrevistadas na reportagem é a diretora da organização não-governamental (ONG) Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), Margareth Arilha. Para ela, Câmara e prefeito adotaram medida defendida pelas lideranças católicas. "Como estamos em ano de eleição, quiseram agradar à Igreja."

THIAGO GODINHO



SAÚDE
Jornal de Jundiaí

13/4/2008
Prevenção após os 40

GESTAÇÃO Quando a gravidez é planejada, a mulher precisa redobrar a atenção se ocorre sucesso na concepção
DIVULGAÇÃO
GESTAÇÃO Quando a gravidez é planejada, a mulher precisa redobrar a atenção se ocorre sucesso na concepção

Na adolescência, durante a primeira visita ao ginecologista, as perguntas mais comuns e constrangedoras para quem passa pelo consultório são "você já teve relações sexuais?", "com quantos anos foi sua primeira relação?". Quando a resposta para a primeira pergunta é positiva, a receita do doutor é previsível: anticoncepcional e camisinhas. Assim, a inexperiência ganha álibis para seguir o caminho de descobrir o prazer com segurança. Alguns anos depois, quando se chega aos 40, a inexperiência dá lugar à experiência -- e a insegurança de entrar na sala do ginecologista dá lugar a outras preocupações. As dúvidas de menina se transformam em questionamentos de mulher.

Prevenir-se contra a gravidez após os 40 anos pode até parecer mais complicado, mas não é. "Deve-se observar que, apesar de uma redução na fertilidade feminina, a mulher após os 40 anos tem a possibilidade de engravidar, daí a necessidade de um método anticoncepcional eficaz e seguro, A pílula anticoncepcional é um dos métodos que podem ser usados nesta faixa etária, desde que não haja alguma contra-indicação de ordem médica. Além disso, é um método bastante eficaz com baixas taxas de falhas", explica Luciano de Melo Pompei, Doutor em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP. Segundo ele, além do efeito anticoncepcional, a pílula pode ajudar a regularizar o ciclo menstrual, a controlar as menstruações muito volumosas e a auxiliar no controle das dores menstruais.

Menopausa próxima - No caso da mulher que se aproxima da menopausa, a pílula pode ainda ajudar a proteger os ossos contra a perda de cálcio. "Todavia, deve-se ter em mente que a pílula anticoncepcional não deve ser utilizada como terapia de reposição hormonal", ressalta.

De acordo com o ginecologista, no caso das pílulas anticoncepcionais e de outros métodos hormonais, sempre se deve preferir as formulações de baixa dosagem, pela menor chance de efeitos adversos. "As pílulas com progestagênios mais modernos parecem trazer algumas vantagens, no entanto, seu custo, em geral, é mais elevado."

Novos tempos - Com o adiamento das gestações em função da grande participação da mulher no mercado de trabalho, os médicos, principalmente nos grandes centros, já têm uma grande experiência com gestantes com idade acima dos 35 anos. O risco da gravidez após essa idade existe, entretanto, é considerável que, com o avançar da idade, aumentam as chances de se desenvolverem algumas doenças, tais como hipertensão arterial, diabetes e outras. "Essas doenças crônicas podem trazer maiores dificuldades em uma eventual gestação. Além disso, mulheres de maior idade apresentam chances aumentadas de aborto espontâneo e de trabalho de parto prematuro, além de outras complicações da gravidez. Dessa forma, é necessário um acompanhamento mais cuidadoso no pré-natal", comenta Pompei. Se a gravidez está sendo planejada, convém, antes, consultar um médico para verificar se está tudo bem com a saúde da mulher e fazer os controles devidos antes da concepção.

Outras formas de prevenção - Para Pompei, a pílula do dia seguinte é indicada para quem tem mais de 40 anos. Segundo ele, o simples fato de ter mais de 40 anos não é contra-indicação. "Lembro apenas que no Brasil há necessidade de indicação médica para o uso deste método." E assim como para qualquer faixa etária, ela não deve ser a única forma de prevenção. O ginecologista também informa que o DIU (Dispositivo Intra Uterino) também pode ser utilizado, desde que não apresente as contra-indicações médicas, assim como para qualquer faixa etária

DA REPORTAGEM LOCAL
Esta notícia foi atualizada em 10/4/2008 às 16:52

 



ANÁLISE
Jornal de Jundiaí

9/4/2008
A mulher na Terra como no céu
Ennio Candotti

Em célebre polêmica que dividiu o pensamento cristão nos tempos de Galileu ( por volta de  1630 ) a Igreja Católica insistia em dar à Terra um papel central no Universo, físico e simbólico. Outros pensadores, igualmente cristãos, não viam essa centralidade como necessária.

Galileu defendia que a Terra girava ao redor do Sol e criticava a insistência dos filósofos do Vaticano em buscar nas escrituras as razões de sua imobilidade e centralidade.
Em um célebre diálogo  sobre a posição da Terra nos céus observou: "Não posso, sem grande admiração e direi grande repugnância para o meu intelecto, ouvir atribuições de grande nobreza e perfeição aos corpos celestes e integrantes do universo por serem impassíveis, imutáveis, inalteráveis etc. e, ao contrário, considerar grande imperfeição ser alterável, capaz de gerar, mutável etc.; julgo a Terra nobilíssima e admirável pelas tantas e diversas alterações, mutações  e gerações etc. que nela incessantemente ocorrem...."

E, em seguida, respondendo a seu interlocutor, que considerava seu modo de filosofar "subversivo", acrescentou: "Não se preocupe com o céu e a Terra, nem tema a sua subversão, como tampouco da filosofia; porque quanto ao céu, é vão que temam aquilo que vocês mesmos consideram inalterável e impassível; quanto à Terra, tratamos de nobilitá-la enquanto procuramos fazê-la semelhante aos corpos celestes e, de certo modo, colocá-la quase no céu, de onde os seus filósofos a expulsaram".

Lembrei deste diálogo e desta polêmica ao ler, e tentar entender, as inúmeras razões que são dadas pelos filósofos que defendem as diretrizes vaticanas sobre o papel da mulher na concepção e gestação de um filho. Parece-me que insistem em atribuir à mulher um papel celeste, perfeito e a consideram incapaz de decidir  conscientemente sobre seus direitos reprodutivos, humanos. Encontram grande dificuldade em considerar a mulher um ser semelhante aos outros que vivem na Terra, e compartilham com outros seres humanos  suas alegrias e angústias.

As doutrinas cristãs já se dividiram sobre esta questão - houve tempos em que a alma era negada à mulher.  Hoje continuam divididas. Algumas igrejas cristãs aceitam com naturalidade que cabe às mulheres o direito de decisão sobre o momento e a oportunidade de conceber um filho. Não é o caso das diretrizes vaticanas atuais  para a interpretação da doutrina Católica.

Buscar nas escrituras justificativa para tal orientação, como por vezes tem sido afirmado, não é razoável uma vez que Tomás de Aquino, e outros filósofos do passado, também leitores das escrituras, pensavam de modo diferente e atribuíam alma racional ao feto apenas quarenta dias depois da concepção.  

A impressão que fica é que estamos envolvidos em uma das batalhas que a Igreja Vaticana travou no passado - como nos tempos de Galileu - e continua travando,  para preservar a sua unidade e a influência de Roma na política dos países laicos em que seu rebanho vive e se alimenta.

No caso dos direitos reprodutivos da mulher e da descriminalização do aborto ( e é disso que se trata ) os argumentos levantados pelos filósofos vaticanos são semelhantes aos que nos anos sessenta condenavam  a pílula anticoncepcional.  Aos excessos doutrinários as mulheres, católicas ou não, responderam então com incredulidade.

Novamente é possível dar à mulher o direito de resolver, através da ingestão de um fármaco (a pílula do dia seguinte), a questão de aceitar ou não as responsabilidades da maternidade. Novamente uma cruzada é formada para combater os infiéis.  

Uma vez mais os infiéis, que muitas vezes professam inquestionável fé, responderão - de modo semelhante a Galileu - que, quanto à mulher, tratamos de certo modo trazê-la de volta à Terra, de onde os seus filósofos a expulsaram. Afinal sabemos que cabe à mulher sustentar metade do céu e os homens reconhecem e agradecem a colaboração.

Ennio Candotti é físico, prof. da Univ. Fed. Espírito Santo e ex-presidente da SBPC - Soc. Bras. Progresso da Ciência. E-mail: arilha@hotmail.com



ARY CEDEU
Jornal de Jundiaí

5/4/2008
Proibida a pílula do dia seguinte
A distribuição dos contraceptivos de emergência - a 'pílula do dia seguinte' - está proibida, desde ontem, nos serviços de saúde pública de Jundiaí. O prefeito Ary Fossen cedeu à pressão e sancionou a lei, 23 dias depois de ela ser aprovada, por unanimidade, na Câmara Municipal. O projeto é de autoria do vereador oposicionista e pré-candidato a prefeito Cláudio Miranda (PSOL). O prefeito esperou os últimos instantes para tomar a decisão - ele tinha até segunda-feira, dia 7, para sancionar ou rejeitar a proposta.

A repercussão do assunto ficou mais forte quando o bispo diocesano, dom Gil Antônio Moreira, afirmou que pediria formalmente para que o prefeito não vetasse a iniciativa. Na última segunda-feira, em entrevista ao JJ Regional, o bispo contou que Ary teria confirmado, informalmente, a sanção do projeto.

"Ele (Cláudio Miranda), que além de vereador é médico, mostrou que a pílula do dia seguinte é abortiva e uma 'bomba' hormonal no organismo feminino. Conversei com o Ary, que me disse que deve sancionar a lei", disse ele, na ocasião, dois dias antes de seguir para Itaici - dom Gil é um dos 350 bispos brasileiros que participam até o dia 11 da 46ª Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), na qual o tema 'vida' também será debatido. Na tarde de ontem, ele soube da aprovação pela reportagem do JJ. "Fico feliz com a atitude do senhor prefeito por reconhecer o prejuízo da pílula do dia seguinte na pessoa da mulher", comemorou.

Miranda não recebeu a notícia com surpresa. Por telefone, ele disse que já tinha ouvido de alguns vereadores da base aliada na Câmara que a Ary aprovaria o projeto. "Ele fez muito bem. É um projeto importante para a cidade, que protege a saúde da mulher", comentou.

Só por solicitação -
O medicamento impede a gravidez após o ato sexual presumivelmente fértil - desde que ingerido até 72 horas após a relação. Ontem, a Prefeitura  informou que as UBSs e hospitais não possuem estoque  do contraceptivo, mas que o mesmo é solicitado apenas quando necessário, o que deverá facilitar o trabalho de proibição. A Secretaria Municipal de Saúde montará um material com dados sobre a pílula na próxima semana. Em março, a administração divulgou que são distribuídas uma média de oito caixas de 'pílulas do dia seguinte' por mês no município.

Fragilidade - O secretário de Assuntos Parlamentares, Ari Castro Nunes, explicou ontem que a decisão do prefeito Ary Fossen foi tomada puramente por "convicção", contrariando a maioria das outras decisões sobre projetos de lei considerados inconstitucionais e ilegais.

Nos outros casos, Ary optou pelo veto. Apesar da decisão do chefe do Executivo, Nunes lembrou que a lei 'é frágil' diante dos vícios que apresenta. "Basta alguma entidade ou pessoa que não concorde entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) que a lei cai por terra", ressaltou.

Se isso acontecer, o Tribunal de Justiça acatará os pareceres jurídicos sobre inconstitucionalidade e obrigará a Mesa Diretora da Câmara a 'derrubar' a norma através de um projeto de decreto legislativo. 

ROBERTA BORGES 


PÍLULA DO DIA SEGUINTE
Jornal de Jundiaí

1/4/2008
´Ary deve sancionar a lei´
O bispo diocesano dom Gil Antônio Moreira afirmou que o prefeito Ary Fossen já teria confirmado a sanção do projeto de lei de autoria do vereador Cláudio Miranda (PSOL), que pede o cancelamento da distribuição de contraceptivos de urgência, as ´pílulas do dia seguinte, no sistema de Saúde de Jundiaí.

"Ele (Cláudio Miranda), que além de vereador é médico, mostrou que a pílula do dia seguinte é abortiva e uma ´bomba´´ hormonal no organismo feminino. Conversei com o Ary, que me disse que deve sancionar a lei."

Em Indaiatuba, a família e as questões éticas também serão discutidas. "Faremos uma revisão da Campanha da Fraternidade, que abordou a Fraternidade e a Defesa da Vida." O tema também tem destaque nos trabalhos do Instituto Diocesano de Bioética.

Para lutar pela causa, dom Gil ainda esteve presente no ato público contra o aborto, na praça da Sé, em São Paulo, no último sábado. Segundo ele, entre 10 mil e 15 mil pessoas compareceram e não apenas mil, como divulgado pela imprensa.
Esta notícia foi atualizada em 31/3/2008 às 21:37


PÍLULA DO DIA SEGUINTE
Jornal de Jundiaí

25/3/2008
Ary não se decidiu sobre o assunto
Ary tem até a primeira semana de abril para sancionar ou rejeitar o projeto
MARCELO LANGUE
Ary tem até a primeira semana de abril para sancionar ou rejeitar o projeto
O prefeito Ary Fossen (PSDB) ainda não decidiu se aprova ou veta o projeto de lei do vereador oposicionista Cláudio Miranda (PSOL), que tenta proibir a distribuição de contraceptivos de urgência, as conhecidas ´pílulas do dia seguinte´, no sistema de Saúde de Jundiaí. "Não há nada conclusivo. Ainda estamos no processo de pareceres das secretarias e não conversamos sobre isso ainda", afirmou, ontem, o secretário de Assuntos Parlamentares, Ari Castro Nunes.

Na sessão ordinária do dia 11 de março, nenhum dos vereadores da Câmara de Jundiaí resolveu arriscar e a proposta foi aprovada por unanimidade. O tema ganhou ainda mais ênfase após manifestação do bispo diocesano, dom Gil Antônio Moreira. Ele afirmou que pediria formalmente para que o prefeito não vetasse a iniciativa.

Agora, Ary tem até a primeira semana de abril para sancionar ou rejeitar o projeto. "É uma questão de bom senso, de saúde pública", avalia Miranda. "Espero que a posição política não influencie na decisão", emendou.

A questão encarada pela Prefeitura fica ainda mais delicada se for analisada a inconstitucionalidade da proposta, que já tem parecer contrário da Consultoria Jurídica do Legislativo - segundo a Constituição, a Saúde deve ser legislada em esfera federal. Em todos os casos de pareceres judiciais contrários o Executivo tem sido essencialmente técnico: projeto inconstitucional é sinônimo de veto.

Em relação à proibição da pílula do dia seguinte, a concordância de Ary, segundo Miranda, seria suficiente para diluir o vício de iniciativa. "Basta o município não querer acompanhar o programa federal de distribuição", argumentou. Se Ary não se posicionar até o dia 7 de abril, a sanção se torna tácita (sem necessidade da manifestação oficial da Prefeitura).

THIAGO GODINHO 
Esta notícia foi atualizada em 24/3/2008 às 22:10


POLÊMICA NO AR
Jornal de Jundiaí

12/3/2008
Câmara proíbe pílula do dia seguinte. Agora é com Ary
BATATA QUENTE Miranda (à esq.) conseguiu aprovação. Agora, depende de Ary
RUI CARLOS
BATATA QUENTE Miranda (à esq.) conseguiu aprovação. Agora, depende de Ary
Nenhum dos vereadores da Câmara de Jundiaí resolveu arriscar quando o sinal do bispo Dom Gil foi colocada em pauta. Foi aprovado por unanimidade o projeto de autoria do vereador Cláudio Miranda, que pede o cancelamento da distribuição de contraceptivos de urgência, as conhecidas 'pílulas do dia seguinte', no sistema de Saúde de Jundiaí.

A votação, ontem, na sessão ordinária, não rendeu os mesmos discursos calorosos ocorridos quando da visita do bispo diocesano dom Gil Antônio Moreira ao Legislativo. Mas, o placar disse tudo: 14 a zero contra a distribuição de pílulas na cidade. O único vereador que não apoiou, coincidência ou não, foi o pastor evangélico Roberto Conde (PRB). "Acho que o projeto carece de maior discussão", justificou o parlamentar, que saiu do Plenário durante a votação.

Um pedido que chegou a ameaçar a proposta partiu da bancada do PT. Mas, a idéia encabeçada por Marilena Negro era apenas a de deixar a questão da pílula do dia seguinte para o dia seguinte. "Devemos tirar essa idéia que há sobre a distribuição indiscriminada das pílulas pela Saúde. Essa não é a realidade", afirmou, justificando o pedido de adiamento com números e defendendo uma audiência pública para debater o tema.

O requerimento de adiamento pegou algumas lideranças de surpresa. Tanto que a sessão foi paralisada por quase meia hora para uma reunião entre as bancadas. Mas, após decidirem pela votação imediata, nem Marilena ousou nadar contra a corrente.

Ilegal - O projeto de Miranda recebeu parecer contrário da Consultoria Jurídica da Casa. Mas o legislador insiste que, se aprovado pelo prefeito Ary Fossen (PSDB), perde o vício de iniciativa. "Basta o município não querer acompanhar o programa federal." Se depender da pressão da igreja católica, o chefe do Executivo vai aprovar a proposta. O bispo dom Gil já afirmou que faria o pedido formal para que Ary não vetasse o projeto. Atualmente, a distribuição do medicamento é feita pela Secretaria de Saúde da cidade, a partir de programa do Ministério da Saúde, do Governo Federal.

Pauta - Também foi aprovado por unanimidade o projeto de Marcelo Gastaldo (PTB) para vedar o uso de carros licenciados em outros estados pela administração pública. A idéia é evitar a evasão de recursos arrecadados com impostos. Alguns vereadores, como Júlio César de Oliveira, porém, alertaram para as empresas vencedoras de licitação que prestam serviços à Prefeitura. "A maioria delas usa carro de fora. É preciso pensar numa reforma fiscal em nível nacional", disse. 

THIAGO GODINHO


CÂMARA
Jornal de Jundiaí

11/3/2008
A pílula do dia seguinte estará hoje, na ordem do dia

ARQUIVO JJ
"Sou contra!" - Miranda não quer a "pilula do dia seguinte"
O projeto que deve render mais discussão  na sessão ordinária da Câmara Municipal de hoje, marcada para as 9 horas, é a proposta do vereador Cláudio Miranda, que pede o cancelamento da distribuição de contraceptivos de urgência, as conhecidas 'pílulas do dia seguinte', no sistema de Saúde de Jundiaí. As justificativas do legislador ao projeto são pelos graves efeitos colaterais em jovens que consomem a droga, inclusive pela grande quantidade de hormônios ingerida.

O item conta com um apoio de peso para ser aprovado. O bispo diocesano, dom Gil Antônio Moreira, já anunciou que pressionará o prefeito Ary para que ele não vete o projeto, caso ele passe pelo crivo do Legislativo.

CEI - A criação de uma nova CEI (Comissão Especial de Inquérito) está nas mãos da base aliada da Câmara de Jundiaí. Dessa vez, o tema que está em discussão é o transporte. O requerimento para aprovação da investigação parlamentar terá o seu destino definido hoje.

O vereador e pré-candidato a prefeito, Gerson Sartori (PT), tenta emplacar a criação do grupo no Legislativo após denúncias da esposa de um motorista de ônibus, ex-funcionário da empresa Três Irmãos. Em audiência pública, ela narrou diversas supostas irregularidades na situação de trabalho na companhia.

Entre as reclamações há indícios de que o ex-funcionário era registrado em carteira para conduzir microônibus. Porém, ganhando o mesmo piso salarial - R$ 900 -  era obrigado a dirigir ônibus maiores e ainda acumular a função de cobrador. O abuso em cargas horárias de trabalho também foi citado.

Após as declarações da esposa do motorista,  o petista Sartori pegou carona no caso e propôs a criação da comissão que seria abrangente a outras possíveis irregularidades nos Transportes. O vereador já conta, além da própria assinatura, com o aval dos outros membros da bancada do PT e do também oposicionista, Cláudio Miranda (PSOL), para compor a CEI.

Mas, para que o requerimento entre em votação no Plenário, faltam outras duas assinaturas. Assim, a iniciativa depende da atração de dois membros da bancada situacionista para que o processo vingue. A reunião da bancada de sustentação do prefeito Ary Fossen (PSDB), ontem à noite, pode, no entanto, definir a frustração em bloco da tentativa.


CONTRACEPTIVOS
Jornal de Jundiaí

4/3/2008
Projeto proíbe pílula do dia seguinte
SESSÃO ORDINÁRIA Tema será votado na Câmara hoje a partir das 9 horas
ARQUIVO JJ
SESSÃO ORDINÁRIA Tema será votado na Câmara hoje a partir das 9 horas
Os vereadores da Câmara de Jundiaí vão votar, na sessão de hoje, a partir das 9 horas, projeto de lei que proíbe a distribuição de contraceptivos de urgência na rede pública de saúde. A proposta atinge em cheio a ´pílula do dia seguinte´, que impede a gravidez após o ato sexual presumivelmente fértil - desde que ingerida até 72 horas após a relação. O medicamento é distribuído nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

"Minha preocupação é com a saúde da mulher. Essa pílula é uma bomba de hormônio", frisou o vereador Cláudio Miranda (PSOL), autor do projeto de lei que leva o número 9.946. "Ela se tornou algo banal. Meninas de 12 ou 13 anos já estão tomando. Outra preocupação é com as doenças sexualmente transmissíveis, pois as jovens deixam de usar preservativo para depois tomar a pílula do dia seguinte."

Miranda comentou que não houve motivação religiosa na elaboração do projeto. Apesar disso, a proposta do vereador acaba atendendo a um apelo da Igreja Católica, inclusive do bispo diocesano dom Gil Antonio Moreira. Quando esteve na Câmara, no dia 19 de fevereiro, em visita aos vereadores, o religioso adiantou que pressionaria o prefeito Ary Fossen para proibir a distribuição da ´pílula do dia seguinte´.

Obstáculos - Apesar da anuência do bispo, dentro da Câmara o projeto já tem encontrado resistência. A Consultoria Jurídica da Casa considerou o item inconstitucional e ilegal. Foi esclarecido que é o chefe do Executivo que tem o poder de promover a administração dos serviços públicos. Além disso, o Governo Federal já disciplinou a distribuição dos medicamentos contraceptivos de urgência através de uma portaria do Ministério da Saúde que versa sobre a assistência farmacêutica na atenção básica de saúde.

Na Comissão de Justiça e Redação as opiniões estão divididas. O relator Adilson Rosa (PL) deu parecer contrário ao projeto, mas os outros quatro membros da comissão não concordaram com o posicionamento e se mostraram favoráveis à tramitação do item. Já a Comissão de Saúde, Higiene e Bem-Estar Social votou favorável ao teor da proposta.

Jundiaí - Segundo dados divulgados pela Secretaria de Governo e Comunicação Social, da Prefeitura de Jundiaí, são distribuídas no município uma média de oito caixas de ´pílulas do dia seguinte´ ao mês. O medicamento só é entregue em caso de necessidade, de forma controlada. Miranda, no entanto, recebeu denúncias de que a medicação já foi entregue sem a receita médica. "O município precisa velar pela saúde do cidadão."

REBECA RIBEIRO
Esta notícia foi atualizada em 3/3/2008 às 20:46


CÂMARA/JUNDIAÍ
Jornal de Jundiaí

3/3/2008
Projeto quer alterar regimento
MARCELO LANGUE
Cláudio Benevides Neves criticou na semana passada as interrupções das sessões
Cláudio Benevides Neves criticou na semana passada as interrupções das sessões
Os vereadores vão apreciar, nesta terça-feira, a partir das 9 horas, o projeto de resolução nº 743, que altera o regimento interno da Câmara Municipal de Jundiaí, modificando vários itens no andamento das sessões ordinárias. Se aprovada, a proposta transfere as audiências públicas para o período noturno, além de estabelecer limite máximo para o tempo de debates, além das discussões sobre matéria orçamentária, veto, moção, requerimento, parecer verbal e justificativa de voto, entre outros.

De autoria da mesa diretora, o projeto de resolução é o segundo item a ser apreciado amanhã. "A proposta é atualizar as reivindicações da sociedade e dos próprios legisladores. Esse projeto foi instituído pela mesa diretora e é da época em que a Ana Tonelli presidia a Câmara. Em dezembro passado, houve um requerimento de adiamento para análise dos vereadores e agora esperamos que seja aprovado", comentou o presidente da Câmara, Luiz Fernando Machado (PSDB). Saiba o que muda - Se a proposta for aprovada, os requerimentos do plenário passam a ser discutidos e votados um a um; só caberão emendas até a discussão no primeiro turno; passa a considerar a ata eletrônica como a única forma de registrar toda a sessão; as discussões serão limitadas a dez minutos (e as matérias orçamentárias a 30 minutos); vetos a dez minutos; parecer verbal a dez minutos; os requerimentos ou indicações a cinco minutos; as justificativas de voto a cinco minutos; e as audiências públicas terão início às 19 horas e duração de três horas improrrogáveis.

"Percebemos que o tempo de discussão dos projetos tem se ampliado e a gente se preocupa. A finalidade é estabelecer um limite máximo para essas questões do regimento", acrescenta Machado.
Na última sexta-feira, em solenidade realizada pela ONG Voto Consciente na sede do Ciesp, quando foi divulgada a avaliação dos vereadores de Jundiaí, Cláudio Benevides Neves, coordenador do grupo de acompanhamento das sessões, criticou o tempo de discussões partidárias e também de assuntos fora do contexto da pauta. Outro item citado por ele foi a paralisação constante das sessões. Nas últimas semanas, por exemplo, ocorreu uma sessão ordinária aberta às 9 horas, suspensa às 9h03, e retomada às 12h13. O coordenador considera a interrupção um desrespeito às pessoas que acompanham as sessões.

"Não concordo com a suspensão das sessões, principalmente em respeito ao público e à imprensa que às vezes espera duas a três horas pelo retorno da sessão. Mas às vezes é preciso interromper para receber pessoas ou comissões como foi o caso do tema em que tratamos da fila da oncologia na cidade", justifica.
 
Outros itens
- Também na ordem do dia nesta terça-feira estarão o veto total ao projeto José Antônio Kachan (PSB), que exige nos canteiros de obras o material básico de primeiros socorros; o projeto de Marcelo Gastaldo (PTB) vedando à administração pública a utilização de veículos licenciados em outros Estados; um projeto de decreto legislativo da mesa diretora que suspende, por inconstitucionalid