JOGO RÁPIDO
Desmistificando o uso da contracepção de emergência por adolescentes
A contracepção de emergência é uma conquista em Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, pois, como única opção pós-coito de prevenção contraceptiva, evita inúmeras gestações não-planejadas, abortos provocados e casos de mortalidade materna.
O uso do método por adolescentes está previsto e orientado pelo Ministério da Saúde, considerando a maior vulnerabilidade desta população a relações sexuais de risco. Porém, não deve ser feito de forma repetitiva e contínua, pois falha e sobrecarrega hormonalmente o organismo.
Pesquisa da Secretaria de Saúde de São Paulo em 2008* confirmada por outros estudos brasileiros demonstrou que o seu uso repetido é feito por parcela minoritária de adolescentes (menos de 20%). A maioria (75%) usa em relações com parceiro fixo e esporadicamente, quando gostariam de ter outra opção contraceptiva que não o preservativo, tal como ocorre com adultos. No entanto, são adolescentes que não recebem informação de como adquirir e usar esses outros métodos de uso comum.
Por este motivo, a responsabilidade pela parcela de uso errado da contracepção de emergência não é dos adolescentes − que estão em fase de aprendizado e formação de comportamentos; também não pode ser atribuída às famílias, que ainda sofrem da cultura machista que não aceita com naturalidade a prática sexual das meninas adolescentes, apesar de recomendá-la aos rapazes.
A responsabilidade das ações que implicam a prevenção em saúde de adolescente não são de âmbito privado, mas público, tal como preconiza o ECA: são as secretarias de educação que têm a obrigação orientar que escolas forneçam informações e encaminhem adolescentes aos serviços de saúde; são as secretarias de saúde que têm de recebê-los sem restrições, oferecendo os contraceptivos disponíveis no SUS, tanto de emergência (quando necessário), quanto, efetivamente, os contraceptivos de uso regular, como pílulas, diafragmas e preservativos, tal como orienta o Ministério da Saúde.
Regina Figueiredo, articuladora nacional da Rede de Informações de Contracepção de Emergência e pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de SP
Contato: reginafigueiredo@uol.com.br
*Para ver a pesquisa na íntegra acesse:
http://www.isaude.sp.gov.br/index.php?cid=1275&revista_id=39
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