JOGO RÁPIDO
Paternidade: entre o DNA e a pensão*
Explodem denúncias de paternidade em relação ao Presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ex-bispo da Igreja Católica. Acho que esses fatos – e devemos ter em mente que alguns ainda precisam ser confirmados – nos leva a pensar em algumas importantes questões referentes ao exercício da sexualidade e da reprodução – na vida de homens e mulheres, independente de seus diferentes contextos sociais.
O exercício da sexualidade livre de qualquer tipo de violência ou de coerção representa um direito humano e como tal deve ser respeitado.
Sexualidade essa que pode levar à gravidez e à conseqüente reprodução. E nesse ponto acho que ainda nos falta apelar para uma ampla difusão dos direitos reprodutivos (se quero ter filhos, quantos, quando e com quem).
Conhecer os métodos de contracepção, ter acesso a eles e poder vivenciar uma relação de responsabilidades negociadas e compartilhadas me parece o ideal. Mas para isso, precisamos encarar de frente as diferentes possibilidades de exercício da sexualidade. A vivência de uma “sexualidade clandestina”, em que conversas sobre como se vai viver essa sexualidade e a possibilidade de uma gravidez não ocorrem, propicia que cada vez mais ocorram casos como esse (independente da questão religiosa).
Por fim, vale ressaltar que essas questões, de maneira geral, não fazem parte do dito mundo masculino: sexualidade, reprodução, contracepção.
Ser pai pode (e deve) ser muito mais do que exames de DNA (provar quem é o pai) ou de ser provedor (pagar a pensão devida). O exercício da paternidade deve ser visto primeiramente como direito e desejo para alguns homens. E como um compromisso para aqueles que desejam mergulhar nessa aventura. Mas para isso é preciso desde cedo que os meninos sejam socializados com essa perspectiva e que nossas políticas públicas contemplem o universo masculino da paternidade.
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*Marcos Nascimento
Co-diretor / Co-director
Promundo
www.promundo.org.br
MenEngage Alliance, co-chair
www.menengage.org
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