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JOGO RÁPIDO
O DIREITO AO ABORTO*
* Frei Betto, é teólogo e escritor
Rio - Embora seja contrário ao aborto, admito a sua descriminalização em certos casos, como o de estupro, e não apoio a postura do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, ao exigir de uma criança de 9 anos assumir uma gravidez indesejada sob grave risco à sua sobrevivência física (pois a psicológica está lesada) e ainda excomungar os que a ajudaram a interrompê-la.
Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a Ciência nem a Teologia têm a resposta exata para essa questão fundamental na discussão.
Partilho a opinião de que desde a fecundação já há vida com destino humano e, portanto, histórico. Sob a ótica cristã, a dignidade de um ser não deriva daquilo que ele é e sim do que pode vir a ser. Por isso, o Cristianismo defende os direitos inalienáveis dos que se situam no último degrau da escala humana e social.
O debate sobre se o ser embrionário merece ou não reconhecimento de sua dignidade, não deve induzir, no entanto, ao moralismo intolerante.
O caso de Pernambuco exige uma profunda análise quanto aos direitos do embrião e da gestante, a severa punição de estupros e da violência sexual no seio da família, e dos casos de pedofilia no interior da Igreja Católica e, sobretudo, como prescrever medidas concretas que socialmente venham a tornar o aborto desnecessário.
Autor de “O Desafio Ético” |
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