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Planejamento familiar, 10/09/2007
Jornal Bom dia Jundiaí

Pobres são induzidos a aceitar anticoncepcionais

Frente ao chamado planejamento familiar do governo e diante de sérias dúvidas e riscos que o modelo apresenta, nós, bispos, propomos o que segue:

A Igreja reconhece a necessidade de um real planejamento familiar e julga que a paternidade/maternidade implica uma responsabilidade que abrange tanto o gerar biológico quanto a conseqüente educação da prole.

Neste sentido, ela sempre se empenhou na educação dos jovens para a virtude e em sua preparação para a responsabilidade do matrimônio, entendido este como união estável e definitiva de homem e mulher. Neste horizonte de compreensão, a Igreja pensa ser responsabilidade do casal, diante de Deus e de sua consciência, decidir o número de filhos que poderá educar.

A Igreja, entretanto, tem a missão de resguardar e promover a dignidade da pessoa e a grandeza do amor humano e, por isso, alerta a todos para formas de controle da natalidade que ferem essa dignidade e essa grandeza.

Queremos manifestar nossa decidida desaprovação à forma como vem sendo tratada essa questão em nosso Estado, através da aplicação da Lei do Planejamento Familiar no Sistema Único de Saúde.

Assusta-nos que os pobres sejam induzidos a aceitarem a laqueadura, a vasectomia e o uso indiscriminado de anticoncepcionais como forma de evitar a concepção. Julgamos um grave atentado à vida a distribuição da chamada “pílula-do-dia-seguinte”, sabidamente abortiva. É lamentável e terá efeitos catastróficos na formação moral de nossa juventude a distribuição de pílulas e de preservativos tal como vem sendo feita em nosso país. As pílulas já são oferecidas nas escolas, metrôs, postos de saúde e farmácias. Oxalá a orientação e o apoio e a educação no Estado dessem primazia aos valores morais que devem nortear a vida de nossa juventude e reger a vida inteira da sociedade. Lamentamos que o aborto venha sendo citado como um expediente eficaz dentro do conjunto das medidas propugnadas para o que está sendo chamado de planejamento familiar.

De sua parte, a Igreja Católica continuará sua missão de educar para a virtude, oferecendo às famílias e à juventude seu apoio e orientação que lhes garanta dignidade e ajude na construção de um futuro melhor para todos, com meios éticos.

Dom Luiz Antônio Guedes, Dom Gil Antônio Moreira, Dom Paulo Mendes Peixoto e Dom Eduardo Benes Rodrigues

Respectivamente: bispo de Bauru, bispo de Jundiaí, bispo de Rio Preto e arcebispo de Sorocaba

 

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