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Curetagens pós-aborto no SUS caem 12%
(23/1/2009)

Folha de São Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O número de curetagens pós-aborto realizadas no SUS (Sistema Único de Saúde) cai ano após ano no país, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Só no ano passado, essa redução foi da ordem de 12%. Esse tipo de procedimento -espécie de operação que consiste em esvaziar o interior de uma cavidade com o auxílio de uma cureta- costuma ser feito em casos de abortos malsucedidos.
Esse número é frequentemente associado ao índice de abortos realizados de forma clandestina, embora o Ministério da Saúde avalie que não seja possível fazer uma relação direta entre esses dois dados.
Pesquisa encomendada pela pasta -com informações referentes ao ano de 2005- estimou que o número de abortos feitos fora do amparo legal chegava a 1 milhão no país.
No mesmo ano, o ministério havia registrado 241 mil curetagens na rede de hospitais do SUS. Esse montante caiu para 214,3 mil em 2007 e fechou em 190 mil, até novembro do ano passado (veja quadro). O ministério gastou cerca de R$ 35,7 milhões com curetagens em 2008.
Para a coordenadora da área de saúde da mulher do ministério, Lena Peres, o número de curetagens tem caído por conta dos programas de planejamento familiar e da maior distribuição de contraceptivos.
Cristião Fernando Rosas, da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), aponta também para políticas de planejamento familiar e de educação sexual nas escolas como fatores que podem ter influenciado.
A diretora da ONG Ipas, Leila Adesse, diz que a redução gradual de curetagens nos hospitais públicos pode indicar uma tendência de diminuição ou estabilidade. Curetagens, abortos legais e abortos espontâneos são usados como base nas estimativas de abortos clandestinos, afirma Adesse.

Frases

As mulheres estão mais bem informadas. Basta ver que a cada ano cresce o número de denúncias de violência sexual
LENA PERES
coordenadora da área de saúde da mulher do Ministério da Saúde

Nesses casos [de anencefalia], geralmente os juízes deferem porque (...) não há potencialidade de vida
MARCO AURÉLIO MELLO
ministro do STF

 

 
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