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Antibióticos podem causar malformação na gestação
(4/11/2009)

Folha de São Paulo

Bebês tiveram problemas cardíacos e no intestino

FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

O uso de algumas classes de antibióticos no tratamento de infecções urinárias durante os três primeiros meses de gravidez pode aumentar o risco de o bebê nascer com malformações, diz estudo publicado na revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.
Os defeitos congênitos foram relacionados ao uso de sulfonamidas e nitrofurantoinas. Já a penicilina e seus derivados foram considerados seguros.
O estudo foi realizado pela geneticista Krista Crider, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Ela analisou o uso de antibióticos na gravidez de 13.155 mulheres que tiveram filhos com uma das mais de 30 malformações congênitas e comparou com os resultados de 4.941 mulheres selecionadas aleatoriamente, que viviam na mesma região, e tiveram filhos saudáveis.
A pesquisadora constatou que as penicilinas e cefalosporinas, apesar de comumente usadas por mulheres grávidas, não foram associadas aos defeitos de nascimento. Já os medicamentos sulfonamidas e nitrofurantoinas foram associados com vários defeitos, como malformações cardíacas, fendas na face, problemas de intestino e até anencefalia.
O ginecologista Nilson Abrão Szylit, do hospital São Luiz, disse que as sulfonamidas e nitrofurantoinas já não eram recomendadas no começo da gestação, pois não havia estudos que garantissem a segurança. O simples fato de não sabermos se é seguro já é motivo para não indicarmos, diz.
Quando a gestante tem infecção urinária, o ideal é tratar com penicilina, que não traz problemas. Em casos de alergia, a mulher pode usar a cefalosporina. A droga de escolha na gravidez, sempre que possível, é a penicilina, diz Szylit.
O ginecologista Rodrigo Ruano, professor da USP, diz que o estudo confirma a existência de complicações associadas ao uso de antibióticos, mas reforça que o tratamento das infecções é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. Se a mulher não tratar, o parto pode ser prematuro, pode haver rompimento de bolsa, diz.

 
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