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Universidades esquecem de formar pessoas, diz educador
(9/11/2009)

Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A expulsão da aluna Geisy pela Uniban é uma decisão precipitada que revela também um conceito adotado por universidades na contramão dos princípios educacionais.
Uma das tarefas da instituição de ensino é formar pessoas. As universidades estão sendo excessivamente pragmáticas, só para investir no conhecimento, e não no sentido ético da educação, diz Célio da Cunha, 66, professor da UnB (Universidade de Brasília) e que trabalhou durante 11 anos para a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Leia abaixo trechos da entrevista dele à Folha:

 

FOLHA - Qual é a opinião do sr. sobre a expulsão da estudante?
CÉLIO DA CUNHA -
Houve uma precipitação da universidade. A universidade é sobretudo uma casa de educação. Antes de uma medida drástica como essa, deve haver um amplo diálogo.

FOLHA - A universidade disse que havia feito alertas verbais.
CUNHA -
Tem inúmeros procedimentos até um ato desses. Deve-se fazer todos os esforços para não chegar à expulsão. Uma das tarefas da instituição de ensino, qualquer que seja seu grau, é formar pessoas, formar gente. Esta é uma excelente oportunidade para a universidade pensar seu conceito. O educador oferece tantas chances quanto for necessário para que a pessoa encontre seu caminho. É um momento para ela se repensar como instituição educadora.

FOLHA - Como assim?
CUNHA -
O que vem acontecendo com inúmeras instituições de ensino, tanto na educação básica como no ensino superior? Elas esquecem desse lado de formar pessoas. As universidades estão sendo excessivamente pragmáticas, só para investir no conhecimento, e não no sentido ético da educação.

FOLHA - O sr. acredita que a decisão de expulsá-la foi de educadores?
CUNHA -
Não acredito que educadores, na verdadeira acepção do verbo educar, do conceito histórico de educação, possam ter tomado uma decisão com essa radicalidade.

 
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