| 29/6/2012
A despeito de todo o atraso, o Hospital da Mulher representa grande ganho para o atendimento especializado de saúde, com as especificidades demandadas pelo segmento que representa a maior parcela da população de Fortaleza. A expectativa é de que seja centro de referência. Pode ser o marco capaz de começar a conduzir a saúde na Capital para outro patamar, ainda que de forma setorial. Mas não pode ser repetido o erro cometido por Juraci Magalhães com o IJF. A criação daquele grande hospital concentrou recursos e levou ao sucateamento da rede secundária. Frotinhas e Gonzaguinhas foram gradualmente desmantelados, situação que os oito anos de Luizianne Lins não foram capazes de reverter. É importante ter o Hospital da Mulher como polo de excelência, mas não pode ser o local exclusivo de atendimento à mulher. Mais importante que um espaço especializado é a presença dessa atenção à saúde reprodutiva, também, capilarizada em toda a rede. Não é prático para a população, nem funcional do ponto de vista urbanístico e de mobilidade deslocar toda a população feminina para o mesmo lugar. Claro que o Hospital da Mulher terá mais estrutura e recursos. Casos mais complexos terão, efetivamente, de ser encaminhados para lá. Mas não substitui a necessidade de alternativas distribuídas por toda a rede. O exemplo do IJF está aí: um hospital que deveria ser de ponta, mas está sobrecarregado, enquanto a rede secundária permanece em condições muito aquém do mínimo necessário.
DE MARACANAÚ PARA A ASSEMBLEIA
Em meio a preparativos para a árdua tarefa de tentar eleger o sucessor, contra forte chapa apoiada pelo governador Cid Gomes (PSB), o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), já tem planos para 2014. Ele anuncia que concorrerá a deputado estadual, onde a filha Fernanda hoje exerce mandato. Pessoa ocupou cadeira na Assembleia Legislativa, pelo PFL, no começo dos anos 1990. Fazia oposição ao então governador Ciro Gomes. De lá, saiu para três mandatos de deputado federal.
DO CONGRESSO PARA MARACANAÚ
Se a chapa de Júlio César Costa Lima (PSD) for eleita, Edson Silva (PSB) deverá deixar o mandato de deputado federal para ser vice-prefeito de Maracanaú. Sem nenhum demérito ao município de maior PIB do Estado depois da Capital, a opção é intrigante.
IDEIAS PARA UMA NOVA ECONOMIA DO CEARÁ
A coluna tratou ontem da necessidade de o projeto de desenvolvimento do Estado não permanecer amarrado aos grandes empreendimentos que marcaram o sonho de crescimento de meados do século XX, cujos ícones são a siderúrgica e a refinaria. Foram apresentadas reflexões do economista e professor Marcos Holanda. Ex-presidente do Ipece, ele já há algum tempo se debruça sobre a tentativa de apontar outros caminhos possíveis. Estratégia, segundo aponta, mais agressiva e inovadora, sintonizada com o novo século e, inclusive, ambientalmente menos predatória. Além disso, mais conectada com a economia local, e com maior capacidade de criar empregos de qualidade. Na construção desse novo programa, ele destaca o papel de Fortaleza, que reúne condições para ser o maior diferencial competitivo do Ceará, com ênfase no setor de serviços. Útil provocação no momento em que os candidatos começam a discutir o futuro da Capital.
REDE DE PARCERIAS
Para essa virada econômica do Ceará, Marcos Holanda defende parcerias estratégicas com países que sejam complementares ao perfil do Estado. Por exemplo, o Chile nas áreas de pesca e fruticultura. No convívio com o semiárido e o empreendedorismo inovador, as relações com Israel podem ser de grande valia. Com a Coreia do Sul, a parceria é potencialmente profícua nas indústrias de aço, automóveis, eletrônica e economia verde.
INSPIRAÇÕES CHINESA E NOVA-IORQUINA
Para o Porto do Pecém, Holanda apregoa a ampliação de horizontes para além de um complexo industrial e portuário. Não é de hoje que o professor propõe a perspectiva de Zona Econômica Especial, inspirada no modelo chinês. Nesse espaço, o objetivo é desenvolver atividades econômicas nos múltiplos setores – agropecuária, indústria e serviços. O papel do governo é sinalizar para investidores que ali há mão de obra qualificada, qualidade de vida, menos impostos, menos burocracia e melhores serviços públicos. Outro pilar que defende é no campo da educação tecnológica de ponta. Ancorado na experiência das universidades e centros já instalados, Holanda propõe um Instituto de Tecnologia do Ceará (ITC), com objetivo de atrair de volta cearenses que foram estudar em centros avançados País e mundo afora. Para tanto, imprescindíveis estrutura e salários atraentes. Como inspiração, ele cita o novo Centro de Tecnologia da Universidade de Cornell, que será construído numa ilha em frente a Manhattan. Ele acredita que terreno hoje usado pelo quartel do 23BC poderia abrigar empreendimento similar, a custo 100 vezes menor que o de uma refinaria. E, estima, com potencial de retorno 100 vezes maior.
FAVORECIMENTO POLÍTICO DA GREVE
Na semana passada, a coluna publicou declaração da prefeita Luizianne Lins (PT), que atribuía a greve dos motoristas de ônibus a interesses eleitorais. Segundo ela, o PSTU, que tem força entre a categoria, estaria interessado em favorecer a candidatura de Renato Roseno (Psol). Pois bem, o acordo eleitoral entre os partidos não saiu. No fim das contas, o PSTU não apoiará Roseno. Se houve interesse eleitoreiro, o endereço era outro.
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