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Reprodução assistida para mães do SUS

Diario de Pernambuco
 
26/05/2009

Diario de Pernambuco

Fertilização in vitro // Imip inaugura hoje centro que possibilitará a famílias carentes o sonho de ter filhos sem pagar pelo tratamento

Ser mãe é um sonho acalentado desde a infância por muitas mulheres de qualquer classe social ou religião. E
quando chega a idade em que se pode de fato concretizar o desejo, algumas enfrentam o drama de não poder engravidar. A descoberta da infertilidade podia fazer com que o sonho de constituir uma família ficasse apenas no campo das ideias. Pelo menos era o que acontecia com os casais que não tinham renda para arcar com um tratamento ou mesmo com a fertilização in vitro, considerada o último recurso para quem quer passar por uma gestação assistida. Era. Porque o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) inaugura hoje, com a presença do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o primeiro Centro de Reprodução Humana dedicado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Norte/Nordeste. Um tratamento que chega a custar cerca de R$ 11 mil, por cada tentativa.

Antes, o Imip já fazia atendimento ambulatorial para pacientes do SUS e tinha realizado também procedimentos de alta complexidade, devido às parcerias com hospitais privados - nos últimos seis anos foram 35 nascimentos. No Hospital Getúlio Vargas, que é referencia em urologia, também é feito atendimento ambulatorial para pacientes do SUS com dificuldade para ter filhos e até procedimentos como reversão de vasectomia. Porém, só agora com a inauguração deste centro, casais que dificilmente teriam mais de R$ 10 mil para tentar ter um bebê vão poder fazer inseminação artificial e fertilização in vitro. A médica e coordenadora do Centro de Reprodução Humana do Imip, Madalena Pessoa Caldas, faz questão de frisar que se trata de tentativa. A gestação não pode ser garantida, diz. Segundo ela, cada casal terá direito a duas tentativas por procedimento. Se não for assim, a fila não vai andar nunca, conta Madalena.

A médica explica que o programa chamado de reprodução assistida terá atendimento global, com psicólogos e assistentes sociais. Os casais que quiserem entrar no programa serão avaliados. Segundo Madalena, o casal tem que ter uma condição social mínima, mas acrescenta que não há critério de renda. O SUS é aberto para quem quiser procurar. Não existe fronteira de atendimento e não vai poder existir nenhuma segregação, justifica. Para começar o tratamento, é preciso obedecer apenas a ordem de chegada e fila de espera. Estão previstos 40 atendimentos ambulatoriais por semana e seis fertilizações por mês. A coordenadora do centro diz que já existe uma demanda reprimida. Até agora são 200 casais cadastrados e para organizar a fila, haverá uma central de regulação.

Madalena Caldas fala ainda da chance de êxito do programa e dos riscos. Além de não haver garantias de que o casal conseguirá ter um bebê, também há possibilidade de gestação múltipla. A chance para trigêmeos é de 5% a 8%, por exemplo. Nenhum centro de fertilização está livre disso. Vamos tentar minimizar este risco, mas antes mesmo de começar, os pais já estarão cientes de que pode acontecer, explica a médica. Para evitar a questão, será utilizado apenas um embrião para mulheres abaixo de 35 anos, dois embriões para as que tiverem de 35 anos a 39 anos e três para as de 40 anos em diante. A idade da paciente é um fator diferencial para o sucesso da tentativa.

O programa vai atender também casais sorodiscordantes (portadores de HIV, Hepatite B e C). Nesses casos, o trabalho será evitar que o bebê ou um dos parceiros seja infectado. O centro começa a funcionar no dia 1º de junho e no fim de julho já deve ter paciente fazendo o procedimento de fertilização. A expectativa é que a médio prazo, haja possibilidade de formar um banco de sêmen para também possibilitar que casais homoafetivos possam gerar filhos. (Marta Telles)

Saiba mais

l No Imip serão realizadas mais de 70 fertilizações por ano. O paciente não terá nenhum custo desde sua medicação até o acompanhamento clínico e laboratorial. Os pacientes serão atendidos por ordem de chegada e passarão por uma avaliação clínica, psicológica e social

l O programa foi feito não só para a mulher, mas para o casal. Caso o marido da paciente seja portador de infertilidade, ele será atendido por um andrologista

l Uma equipe com oito médicos, dois embriologistas, dois biomédicos e um enfermeiro trabalharão exclusivamente no centro

l O atendimento é dividido em cinco estágios: o diagnóstico da infertilidade, a estimulação da ovulação, a retirada dos óvulos, a fertilização e por fim a colocação dos embriões na mulher

l O êxito da fertilização é maior quando a mulher é mais jovem. O percentual é de 50% de chance para mulheres entre 30 anos e 35 anos. Dos 35 anos até os 39 anos, este índice cai para 38% a 42%. Acima dos 39 anos, a chance de engravidar por meio de fertilização é de 25% a 30%

Fonte: Imip

 
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