Políticas,
mercado, ética: demandas e desafios no campo da saúde
reprodutiva
Margareth
Arilha e Maria Teresa Citeli (orgs.)
São Paulo: Ed. 34; CCR, 1998. 135 p. R$ 12,00
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Os
temas abordados emergiram dos debates durante as reuniões
do Conselho Diretor da CCR, que acompanhou e discutiu
a elaboração dos textos, produzidos por
dos integrantes e por colaboradores convidados a escrever
sobre assunto de sua especialidade.
Os artigos discutem diferentes componentes das políticas
públicas, desde o planejamento e os desdobramentos
da implementação, no plano macro (incluindo
recursos orçamentários), até a
prática cotidiana de profissionais de saúde. |
- Que
desafios as ONGs e o Estado enfrentam hoje na gestão
da epidemia da AIDS, no âmbito local e mundial? Em
que consiste o pânico econômico, que veio somar-se
ao pânico moral desencadeado pela propagação
do HIV?
- Que
riscos corre a usuária que adquire anticoncepcionais
injetáveis na farmácia? Em que medida o setor
público cumpre seu papel de normatização
e regulação do mercado, zelando pelos direitos
da cidadã?
- Como
a ética da autonomia pode fundamentar posições
dos agentes sociais em face de temas controversos como aborto,
anticoncepção, atendimento a pacientes menores
de idade ou os direitos dos transexuais?
Junto a outras, essas são questões abordadas
nesta original coletânea que, analisando o imbricamento
entre as políticas de saúde e os direitos humanos,
sexuais e reprodutivos, interessará a profissionais
das áreas de ciências sociais, médicas,
humanas e jurídicas, além de jornalistas e demais
cidadãos empenhados na defesa de sua dignidade no campo
da saúde e da reprodução humana.
Sumário
Políticas públicas de saúde e direitos
reprodutivos no Brasil: um olhar para o futuro
Margareth Arilha
Focaliza os comportamentos da sociedade, do Estado e do mercado
em resposta às necessidades do campo da reprodução
e da sexualidade. Baseada em sua experiência como integrante
do Conselho Nacional de Saúde e da Comissão
Intersetorial de Saúde da Mulher, do Ministério
da Saúde, analisa o cenário nacional e internacional
em torno da problemática da saúde e dos direitos
reprodutivos, considerando as condições atuais
e possibilidades futuras de desenvolvimento de políticas.
Para os grupos organizados em torno da defesa dos direitos
reprodutivos, a autora aponta novos desafios como a busca
da intersetorialidade e de articulações com
outros segmentos envolvidos com questões de saúde.
Ao mesmo tempo, sugere exemplos de temas do campo dos direitos
reprodutivos que, em alguns casos, parecem ter ganho dinâmica
política independente da liderança do movimento
feminista.
Anticoncepcionais
injetáveis na perspectiva feminista: o debate histórico
e os novos desafios
Sonia Corrêa
Ao
discutir campanha publicitária destinada a promover
a venda de anticoncepcionais injetáveis, a autora aponta
usos e abusos no desenvolvimento e comercialização
de tecnologias reprodutivas. Depois de recapitular inúmeros
episódios problemáticos verificados ao longo
da história da disseminação das modernas
tecnologias de anticoncepção, sugere que a ampliação
do uso de anticoncepcionais injetáveis no Brasil deve
ser objeto de amplo debate público, envolvendo os setores
interessados. Para o movimento feminista, por exemplo, pode
inspirar novos esforços de pesquisa, assim como novo
patamar de reflexão sobre a relação entre
produção tecnológica e direitos humanos,
papel do Estado, do setor privado e da sociedade.
A
epidemia de HIV/AIDS no Brasil: mudanças de paradigmas
e a elaboração de respostas governamentais e
não-governamentais
Jane Galvão
Analisa três elementos vinculados à questão
da AIDS no Brasil: o perfil das "ONGs/AIDS" brasileiras,
o projeto de controle de AIDS/DSTs do Ministério da
Saúde e os desdobramentos, no país, da XI Conferência
Internacional de AIDS. As mudanças de paradigma, aludidas
no título do artigo, são explicitadas para iluminar
questões cruciais que, segundo a autora, serão
enfrentadas por todos os setores envolvidos com o problema:
o acesso a medicamentos, a construção de modelos
e projetos de prevenção ou intervenção
que atendam à nova realidade da epidemia, e uma agenda
que reconcilie ciência e sociedade. Uma das instigantes
conclusões sugere que, nos anos 90, ao "pânico
moral" — conceito utilizado nos anos 80 para descrever
os aspectos sociais e individuais relacionados à AIDS
— se agrega o "pânico econômico",
expressão cunhada pela autora em referência à
vulnerabilidade econômico-social provocada pela epidemia.
Direitos
sexuais, direitos reprodutivos e direitos humanos: conceitos
em movimento
Denise Dourado Dora
Partindo da constatação empírica das
dificuldades e obstáculos para situar, na legislação
nacional e internacional, os elementos e recursos judiciais
disponíveis para delimitar a natureza jurídica
dos direitos sexuais e reprodutivos, a autora recapitula em
linha cronológica documentos e plataformas de ação,
desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948) até a declaração de Beijing (1995).
Destaca o enunciado de garantia e de proteção
de direitos consagrado por esses documentos, para concluir
que já existem elementos suficientes, tanto na doutrina
como na legislação sobre direitos humanos, passíveis
de serem exigidos no âmbito dos sistemas de proteção
existentes. Tais elementos devem, no entanto, ser traduzidos
em uma agenda de compromissos, responsabilidades e estratégias,
de modo a permitir identificar a violação de
direitos já estabelecidos e criar instrumentos de afirmação
e proteção dos mesmos.
Direitos
humanos atinentes à sexualidade
Marco Segre
Recorre aos pressupostos do pensamento político clássico
para apresentar sua visão autonomista da existência
humana e expressar uma visão ética que pode
orientar os profissionais de saúde, entendidos pelo
autor como agentes sociais. Tomando a prática clínica
concreta como ponto de partida, registra suas reflexões
de cunho ético sobre temas delicados e controversos,
como os do aborto, da anticoncepção, do atendimento
a pacientes menores de idade e do atualíssimo tema
dos direitos dos transexuais.
Saúde
reprodutiva da população negra no Brasil: entre
Malthus e Gobineau
Edna Roland
Discorre
sobre o papel fundamental que desempenharam as elaborações
do conceito de direitos sexuais e reprodutivos, ao lado dos
estudos das relações raciais, no surgimento
de uma nova área de reflexão e intervenção:
os estudos e políticas de saúde reprodutiva
da população negra. O artigo resume importantes
informações sobre comportamentos relativos à
vida sexual e reprodutiva de diferentes segmentos de cor da
população brasileira e destaca, ainda, impasses,
controvérsias e sucessos que marcaram a prática
de militantes, pesquisadores e profissionais integrados na
produção teórica e na ação
política desse novo campo temático.
Internações
hospitalares do SUS: caracterização por sexo
e grupos de idade
André Nunes e Sergio Francisco Piola
Apresenta e examina dados sobre custo de internações
hospitalares providas pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), em 1994, desagregados por sexo e idade. São
identificados os procedimentos de maior custo e as principais
causas de internação de mulheres segundo a faixa
etária. A análise dos dados permite, ainda,
fazer uma aproximação que revela o estado de
saúde e morbidade da população feminina.
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